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SP: vereador pai de jovem morta diz que redução da maioridade é ineficaz

Ari Friedenbach perdeu a filha assassinada em 2003 por um adolescente na região metropolitana de São Paulo

12 abr 2013 16h31
| atualizado às 16h37
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O tema voltou à tona após a morte do estudante de Rádio e TV Victor Hugo Deppman, 19 anos, na noite de terça-feira, na zona leste de São Paulo
Foto: Rafael Camargo / Futura Press

O vereador Ari Friedenbach, eleito pelo PPS em São Paulo em 2012, disse nesta sexta-feira ao Terra que é contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Ele é pai de Liana Friedenbach, 16 anos, assassinada em 2003 na zona rural de Embu Guaçu, região metropolitana de São Paulo, em um crime que chocou o País e reacendeu o debate sobre a maioridade penal.

Na época, ela e o namorado, Felipe Caffé, 19 anos, foram acampar em uma floresta isolada na área e acabaram torturados e assassinados por um adolescente identificado como Champinha, que contou com a ajuda de outros homens. Depois do crime, o vereador disse que era a favor da reduçao da maioridade, mas mudou de ideia após estudar profundamente o assunto.

"A criminalidade vai migrar para mais jovens ainda. Além disso, não podemos colocar esse jovens em sistemas penitenciários falidos, tornando impossível a recuperação deles. Defendo a responsabilização dos adolescentes que cometeram crimes hediondos. Eles devem passar por uma junta interdisciplinar", afirmou ele.

"Num primeiro momento, fui a favor da redução, mas estudei a fundo o assunto e hoje defendo a responsabilização do criminoso, tenha a idade que tiver. Defendo também que as famílias dos criminosos tenham atendimento do Estado para mudar o quadro de extrema violência em que vivem", completou ele.

O especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello entende que o Brasil deve seguir os modelos de países desenvolvidos, como Japão e Alemanha, e ser mais rigoroso com os crimes cometidos por adolescentes. "Quem responde por crime é a pessoa que tem consciêndia do ato equivocado. O cidadão com 16 anos pode votar, viajar, estudar, mas não pode responder por crime? A lei penal, quando pune alguém, diz que quando você tem ciência do que fez, deve ser responsabilizado", disse Lordello.

"Temos um sistema que interna e solta, gerando essa sensação de impunidade. O quadro é péssimo, a sociedade não aguenta mais", afirmou o especialista. Nesta sexta-feira, o vice-presidente da República, Michel Temer, se colocou contrário à redução da maioridade penal. Para ele, a medida poderia não solucionar a questão de existir muitos menores cometendo crimes. Temer disse ser a favor de que haja medidas para evitar que menores cometam infrações, com medidas de apoio do governo.

O tema voltou à tona após a morte do estudante de Rádio e TV Victor Hugo Deppman, 19 anos, na noite de terça-feira, na zona leste de São Paulo. Ele foi morto em frente ao prédio onde morava por um adolescente de 17 anos. Sem reagir,  Victor entregou o celular ao suspeito. Durante a ação, com a dificuldade em tirar a mochila da vítima, o infrator acabou disparando contra o universitário.

Após o crime, na manhã de quinta-feira, o governador de São Paulo comentou o tema, e pediu maior rigor na punição a menores infratores. "Mais uma vez, é um menor de 18 anos de idade que, daqui a alguns dias, vai completar 18 anos, mas como foi uma semana antes de completar 18 anos, ele vai ficar apenas 3 anos na fundação Casa. Vai sair com a ficha limpa, embora seja um caso grave e reincidente", criticou Alckmin. 

Fonte: Terra
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