Saiba como é o F-39 Gripen, primeiro caça supersônico do Brasil
O F-39 Gripen tem como missão substituir os antigos F-5, em serviço há décadas e de origem americana
O primeiro caça supersônico feito no Brasil, o F-39E Gripen, foi apresentado nesta quarta-feira, 25, em São Paulo, no Aeródromo da Embraer, em Gavião Peixoto. A cerimônia contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Com a fabricação nacional do F-39 Gripen, o Brasil entra para um um seleto grupo de nações com capacidade de desenvolver e produzir aeronaves de combate de alta complexidade.
A produção nacional da aeronave é resultado da transferência de tecnologia da fabricante sueca Saab para a Força Aérea Brasileira (FAB). Do total de 36 aeronaves encomendadas junto à Saab, 15 terão a montagem realizada no Brasil.
Segundo a FAB, a fabricação do caça de última geração consolida o país como polo de alta tecnologia em defesa. O F-39 Gripen tem como missão substituir os antigos F-5, em serviço há décadas e de origem americana.
"Mais do que a incorporação de um caça de última geração, a entrega simboliza o fortalecimento da indústria e a construção de um legado que ultrapassa os limites da aviação militar, instaurando uma nova era: a do Brasil supersônico", afirma a FAB.
Conheça o F-39E Gripen
As aeronaves produzidas no país são iguais às recebidas da Suécia, seguindo padrões de projeto, certificação e qualidade, tendo, consequentemente, a mesma performance, confiabilidade e nível tecnológico.
O F-39E Gripen foi projetado para operar em ambientes contestados, combinando agilidade, sistemas avançados de guerra eletrônica e baixo custo de operação.
No quesito performance, o Gripen impressiona pela sua velocidade e alcance. A aeronave é capaz de atingir 2,4 mil km/h (aproximadamente Mach 2), permitindo uma resposta rápida a qualquer incursão no espaço aéreo nacional.
Para se ter uma ideia de sua rapidez, o caça conseguiria cruzar a distância entre São Paulo (SP) e Boa Vista (RR) em apenas 1h 35m se mantivesse sua velocidade máxima. Além disso, o F-39E possui uma autonomia de voo de 3.250 km e pode operar em altitudes superiores a 16.000 metros.
O Gripen utiliza ainda um ecossistema digital para se tornar "invisível" ou difícil de atingir:
Sensores de Alerta (RWR e MAWS): Detectam radares inimigos e a aproximação de mísseis, identificando ameaças em solo, mar ou ar.
Guerra Eletrônica (ECM, EAJP e LADM): Sistemas que confundem radares inimigos através de interferência, saturação ou criação de alvos falsos (sinais fantasmas).
Defesa Física: Uso de Chaff e Flare para despistar mísseis guiados por radar ou calor (infravermelho).
Armamento e Combate Aéreo
Longo Alcance (BVR): Equipado com o míssil Meteor, projetado para atingir alvos além do alcance visual com alta probabilidade de acerto.
Curto Alcance (WVR): Utiliza o míssil IRIS-T, integrado ao capacete do piloto (HMD), permitindo disparar contra alvos mesmo que não estejam à frente da aeronave.
Inteligência e Conectividade
Fusão de Dados (Datalink/Link 16): Compartilhamento de informações táticas em tempo real entre diferentes unidades, garantindo rapidez na tomada de decisão.
Identificação (IFF): Sistema preciso para distinguir entre forças amigas e inimigas no campo de batalha.
Consciência Situacional (ISR): Sensores que oferecem uma visão de 360 graus do cenário operacional.
Suporte e ataque ao solo
Apoio Aéreo (CAS/GAAI): Capacidade de dar suporte a tropas em terra com auxílio de links de vídeo em tempo real e sistemas digitais, permitindo ataques de precisão em missões de interdição.
