Reino Unido anuncia aporte de US$ 540 milhões ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)
O Reino Unido anunciou nesta quinta-feira (3) o aporte de US$ 540 milhões ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), mecanismo de financiamento para manter a floresta de pé liderado pelo Brasil e lançado oficialmente durante a COP30, realizada em Belém. O governo britânico enviou comunicado sobre a decisão ao Parlamento.
O Reino Unido anunciou um empréstimo de US$ 540 milhões ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), elevando o total a US$ 7,3 bilhões e aproximando a meta de US$ 10 bilhões para operar até 2027. Principal aposta do Brasil na COP30, o mecanismo captará recursos a juros baixos para reinvestir no mercado, usando o lucro para remunerar nações que conservam matas tropicais. Em troca do aporte, os britânicos exigiram participação nos órgãos de supervisão financeira da iniciativa global.
Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília
Com isso, a ferramenta passa a ter cerca de US$ 7,3 bilhões, ainda abaixo da meta de US$ 10 bilhões necessária para que comece a operar. A previsão, no entanto, é que esse valor seja alcançado até dezembro deste ano. Neste caso, o fundo deverá começar a captar recursos já no início de 2027, o que significa que os países já dariam início às operações de monitoramento da cobertura florestal entre 2027 e 2028, e receberiam os pagamentos entre 2028 e 2029.
A contribuição britânica se dará na forma de empréstimo, como aconteceu com a do Brasil, e pode ser ainda maior com eventual desembolso adicional nos próximos meses. O país, que acabou não contribuindo como esperado durante a COP30, mas que participou diretamente da constituição do fundo desde o início, deve fazer anúncio oficial durante a Climate Week em Nova York, no final de setembro.
O aporte tem uma condição, segundo o comunicado enviado ao Parlamento: a participação dos britânicos nos mecanismos de supervisão do fundo. "Isso permitirá ao Reino Unido atuar em conjunto com outros países para promover suas prioridades e interesses enquanto supervisiona o investimento, ajudando a garantir resultados sólidos para os contribuintes e investidores britânicos, incluindo a City de Londres", afirma a nota do governo.
"É muito significativo ver o Reino Unido se somar ao TFFF neste momento decisivo. Este compromisso reforça uma mudança necessária na forma como o mundo reconhece e financia a conservação das florestas tropicais: valorizando quem as protege e garantindo recursos de longo prazo para que essa proteção seja efetiva", disse Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, após o anúncio. "Ao incluir povos indígenas e comunidades locais como parte central dessa solução, o TFFF tem potencial para transformar a conservação em uma agenda de desenvolvimento."
Aposta do Brasil na COP30
O TFFF é uma das maiores apostas do governo brasileiro para a presidência do país da COP30, que termina em novembro, quando o bastão passa para Turquia e Austrália, copresidentes da COP31. É um novo modelo de financiamento climático, a partir do qual países que preservam suas florestas tropicais serão recompensados financeiramente por um fundo de investimento global que remunera seus investidores com taxas de mercado.
A ideia é garantir o desenvolvimento sustentável das comunidades locais e a viabilidade econômica para que países com florestas, entre eles o Brasil, gerem retorno de investimento a partir da preservação. Pelas expectativas mais otimistas, pode render somente ao Brasil entre US$ 1 bilhão e US$ 1,3 bilhão ao ano, se certas condições forem respeitadas, como índices de desmatamento muito baixos.
Novos aportes
O grande atrativo do fundo, nos moldes em que está sendo desenvolvido, é o fato de que será um investimento seguro, com garantia de Estado, a oferecer remuneração de mercado padrão AAA. Há expectativa de novos aportes na Semana do Clima de Nova York e durante a COP31, em Antalya, na Turquia, em novembro. Até aqui, sete países haviam feito contribuições pontuais ao TFFF: Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França, Portugal e Luxemburgo. Canadá e China podem ser os próximos.
O TFFF captará recursos no mercado a juros reduzidos, como um ativo de baixo risco. Esses recursos serão reinvestidos em projetos com maior taxa de retorno, gerando lucro (spread). A diferença será repassada aos países com florestas tropicais, proporcionalmente à área preservada, enquanto o dinheiro que foi emprestado será devolvido aos investidores com lucro.
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