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Política

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Zema já admite manter valorização do salário mínimo e quer esperar para alterar idade para aposentar

Candidato do Novo flexibilizou, em sabatina da TV Globo, medidas que vinha defendendo para o ajuste fiscal

24 ago 2026 - 22h10
(atualizado às 22h51)
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Resumo
Em sabatina na TV Globo, o presidenciável Romeu Zema (Novo) flexibilizou seu plano fiscal ao admitir manter o ganho real do salário mínimo e adiar o aumento da idade de aposentadoria. Ele defendeu a não obrigatoriedade de vacinas, anistia para os réus do 8 de Janeiro, inspiração no modelo de segurança de El Salvador e piso unificado para saúde e educação, além de justificar o aumento da dívida pública e as licenças de mineração durante sua gestão no governo de Minas Gerais.

Candidato a presidente, Romeu Zema (Novo) indicou durante sabatina na TV Globo nesta segunda-feira, 24, que pode flexibilizar medidas do ajuste fiscal que vinha defendendo para as contas públicas brasileiras.

Ele admitiu manter a atual política de valorização do salário mínimo, se as contas públicas permitirem, e disse que primeiro quer tentar arrecadar mais recursos para a Previdência Social por meio do aumento da formalização do emprego antes de alterar a idade mínima da aposentadoria.

"Por ora, não", disse ele ao ser questionado se mexeria na idade mínima. "Nós vamos mexer à medida em que a expectativa de vida aumentar e depois de ver se não conseguimos arrecadar mais com a maior formalização", afirmou Zema.

A declaração vai na contramão do plano de governo de Zema. O documento protocolado no TSE fala em criar um "mecanismo de reajuste automático da idade mínima", com "base na expectativa de vida da população". O texto não coloca como condicionante o aumento da arrecadação por meio da formalização do emprego.

Antes, o ex-governador de Minas condicionava a medida somente aos cálculos atuariais. Em uma entrevista em maio, por exemplo, ele disse que poderia aumentar a idade mínima em seis meses nos próximos cincos anos. Ele não disse, nesta segunda, se pretende aumentar o tempo de contribuição, como defendeu em entrevistas ao longo dos últimos meses.

Zema foi sabatinado durante 40 minutos pela TV Globo. Os aliados argumentam que ele faltou ao debate de domingo, 23, organizado pela Band e pelo Estadão, para se preparar para a sabatina.

Na entrevista, Zema manteve, inicialmente, a proposta de conceder reajuste do salário mínimo apenas pela inflação. Depois, admitiu manter a regra atual, em que há crescimento real de acordo com a variação do PIB dos dois anos anteriores. "Se a economia estiver indo bem, as contas equilibradas, sim [poderia dar ganho real]", afirmou ele.

Ainda na economia, ele defendeu um piso conjunto de gastos para saúde e educação sob o argumento em que há cidades com necessidades diferentes conforme o perfil demográfico.

Zema também foi questionado sobre o crescimento da dívida pública de Minas Gerais em sua gestão. Como resposta, ele afirmou que "a dívida hoje representa muito menos para a economia mineira do que representava do que quando eu assumi" e que quitou débitos com fornecedores e o funcionalismo público.

O ex-governador de Minas Gerais também incentivou que as pessoas se vacinem - ele próprio tomou as doses necessárias durante a pandemia da Covid-19 -, mas disse ser contra a obrigatoriedade da imunização.

"Eu não posso permitir que uma família seja perseguida porque alguém não tomou a vacino. Essa questão de ser obrigatório, transformar num crime, isso não pode acontecer num país democrático", afirmou.

Zema se opôs à condenação dos golpistas do 8 de Janeiro. Ele declarou que concederia anistia ou ao menos um novo julgamento em um tribunal que não seja "político".

"O que nós vimos no Brasil foi perseguição", disse. "Na minha opinião, comete crime quem leva o crime adiante. Quem pensou, ou até idealizou, mas não levou [o crime até a consumação], pra mim não cometeu no crime", acrescentou Zema.

No caso do crime de golpe de Estado, a mera tentativa é penalizada. A lógica é que se o crime for consumado, os autores não poderão ser punidos porque terão derrubado o Estado Democrático de Direito, que permite a penalização, e assumido o Poder.

Na segurança pública, Zema declarou que o Brasil pode adaptar medidas implantadas por Nayib Bukele em El Salvador - a gestão do salvadorenho é criticada por violação dos direitos humanos e encarceramento em massa.

Ele disse que não concorda com todas as medidas adotadas por Bukele, mas afirmou que houve "avanço extraordinário" com "bandidos atrás das grades" e queda de 99% nos homicídios em quatro anos.

"Será que não é isso que queremos aqui no Brasil?", questionou. "Podemos fazer prisões aqui dentro da nossa lei. As leis de lá são outras. Agora, por que aqui muitas vezes o estuprador tem benefício pra saidinha e estupra mais alguém? Isso temos de mudar", declarou.

Zema também respondeu sobre a Operação Rejeito, que desvendou um esquema de corrupção envolvendo agentes do governo mineiro e da Agência Nacional de Mineração (ANM) que recebiam propina para liberar projetos de mineração, parte deles em locais tombados.

Segundo os entrevistadores, uma das mineradoras já havia sido autuada 17 vezes e mesmo assim recebeu autorização do governo Zema para atuar na Serra do Curral.

"Toda decisão que foi tomada no meu governo nós levamos para o lado técnico. Um motorista que tem diversas autuações por excesso de velocidade muitas vezes ele continua dirigindo", justificou Zema, que defendeu "investigação, polícia e prisão" para os envolvidos.

Ao final, ele afirmou que pertence ao Partido Novo, que segundo ele é o que mais combate corrupção no Brasil, e pediu votos para os candidatos da sigla, como Marcel van Hattem, no Rio Grande do Sul, Ricardo Salles, em São Paulo, e Deltan Dallagnol, no Paraná.

Estadão
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