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Idade de Bolsonaro exige cuidados, dizem especialistas

Médicos ouvidos pelo Estadão/Broadcast afirmam que presidente deve se recuperar bem e ter 'vida normal' após deixar o hospital

8 fev 2019
13h27
atualizado às 13h33
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A pneumonia diagnosticada pela equipe que acompanha o presidente Jair Bolsonaro está dentro das complicações possíveis em quadros semelhantes ao dele, ainda que ocorram em apenas cerca de 15% dos pacientes, de acordo com médicos. Os especialistas dizem que o diagnóstico precoce e o fato de o presidente ter voltado a se alimentar nas últimas horas ajudam em sua recuperação. No entanto, o fato de Bolsonaro já ter 63 anos pode exigir cuidados adicionais.

O Palácio do Planalto informou na manhã desta sexta-feira, 8, que o presidente havia dormido bem, não apresentou febre e que havia se alimentado com caldo de carne. O quadro mostra uma situação melhor do que a observada na noite de quarta-feira, quando a pneumonia foi identificada.

O presidente Jair Bolsonaro está internado desde o dia 27 de janeiro em São Paulo, véspera do dia em que realizou uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal.
O presidente Jair Bolsonaro está internado desde o dia 27 de janeiro em São Paulo, véspera do dia em que realizou uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal.
Foto: Reprodução Twitter/Jair Bolsonaro / Estadão Conteúdo

"Ele (Bolsonaro) precisa se recuperar com medicação, o que já tem ocorrido, e alimentação. É um bom sinal, portanto, esta evolução da dieta. Se ele aceitar bem o caldo de carne durante 24 horas, ajuda a preparar para uma fase mais cremosa, como um creme de verduras, e pastosa, como purê de batata e carne moída", disse o gastrocirurgião e professor da Faculdade de Medicina do ABC Eduardo Grecco.

De acordo com Grecco, a alimentação mais regular amplia a capacidade de recuperação do presidente. Neste cenário, e com uma boa aceitação da medicação contra a pneumonia, pode haver uma alta em meados da próxima semana. Na quinta, o médico Antonio Luiz Macedo, que acompanha o presidente, disse que ele deve ficar ao menos mais cinco a sete dias no hospital.

A gastroenterologista Elaine Moreira, da Federação Brasileira de Gastroenterologia, acredita que a imunidade de Bolsonaro está reduzida pelo fato de ele ter passado por uma longa cirurgia, de sete horas, e, depois, por complicações que causaram a suspensão da alimentação oral. De acordo com a especialista, "tempo prolongado de internação favorece processo infeccioso". Porém, o diagnóstico rápido deve facilitar o tratamento da doença. "Foi precoce, com tratamento imediato, ajuste de antibióticos mais fortes, de amplo espectro. Ele tende a ter boa evolução", afirmou Elaine, que integra o instituto EndoVitta.

Riscos

Os especialistas ponderam que há fatores que têm de ser acompanhados de perto. O principal deles é a idade. "A cada dez pacientes, um ou dois podem evoluir para quadros de broncopneumonia pós-operatória, principalmente se for acima de 60 ou 65 anos. Ao meu entender, é uma complicação não esperada, mas não incomum", disse o diretor da Clínica Fares e especialista em cirurgia do aparelho digestivo, Ricardo Portieri.

Segundo Portieri, há quatro tipos de problemas que podem ocorrer no pós-operatório, sendo uma delas a broncopneumonia. "O paciente não respira direito por causa da anestesia, o pulmão fica com capacidade ventilatória reduzida, acumula secreção. É uma das mais comuns, mas não é esperada".

A outra é a infecção que pode ocorrer no abdômen do paciente. "O trânsito intestinal precisa ser reconstruído e tudo que estava para fora precisa ser recanalizado". Em terceiro, Portieri cita a infecção da ferida, que não foi observada no presidente. "O corte às vezes pode infectar, inflamar, com secreções, o que pode causar febre". Por último, a menos comum, mas possível, é a infecção urinária.

Grecco, da FMABC, explica que, por causa da idade, outros fatores que retardam a recuperação podem surgir. "É claro que, com mais de 60 anos, a imunidade fica menor. É diferente de um jovem de 20 anos, já não tem todo aquele vigor, há um estresse, toda uma pressão por ele ser presidente. Mas ele é ativo, tem boa saúde. E, com toda a questão de tecnologia, é possível trabalhar à distância", avaliou.

O oncologista Ramon Andrade de Mello, membro do comitê educacional de câncer gastrointestinal da sociedade americana de oncologia clínica, avalia que houve um aumento de gravidade no caso do presidente. Ele acredita que a exposição de Bolsonaro a outras pessoas nos últimos dias levou ao quadro de pneumonia. Além da primeira-dama Michelle Bolsonaro e do filho Carlos, que têm ficado com o presidente desde a cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal, Bolsonaro recebeu esta semana os filhos Flávio e Eduardo. Na semana passada, ele recebeu a dupla sertaneja Marcia e Marco. "Ele voltou a governar, recebe, ainda que pouco, outras pessoas. Do meu ponto de vista foi um dos fatores agravantes. As pessoas chegam, trazem germes. Mesmo em um ambiente extremamente controlado, isso é possível", disse Mello.

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Estadão
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