The Economist diz que STF está envolvido em 'enorme escândalo'
Revista britânica afirma que, mesmo tendo um papel importante na defesa da democracia, o Supremo 'tem se mostrado mais intransigente' no caso do Banco Master
A revista britânica The Economist afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) está envolvido em um "enorme escândalo". O texto publicado nesta terça-feira, 24, relata a investigação das fraudes financeiras do Banco Master e o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro com os ministros da Corte.
"Mesmo defendendo a democracia, o tribunal tem se mostrado mais intransigente, por vezes interpretando críticas a seus membros como um ataque à própria democracia", afirma a revista, fazendo referência ao papel do STF ao julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe após perder a reeleição em 2022.
A publicação destaca as ligações de dois membros do STF com o Master: os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. "Os problemas começaram desde o início", afirma a revista.
Toffoli, que foi designado inicialmente para ser o relator da investigação do banco no Supremo, viajou de jatinho particular com o advogado Augusto Arruda Botelho, que presta serviços a membros do banco.
A revista destaca também a participação do ministro em negócios com o banqueiro. Como mostrou o Estadão, Toffoli é sócio anônimo da Maridt, que é dirigida por dois irmãos dele e tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua fatia no negócio de hospedagem no Paraná a fundo de investimento que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Quando as conexões vieram à tona, Toffoli pediu para deixar a relatoria do inquérito que apura as irregularidades do Master no STF.
O texto da The Economist cita ainda que a mulher de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, teve seu escritório de advocacia contratado para prestar serviços ao Banco Master. O acordo previa pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões por 36 meses, totalizando até R$ 129 milhões ao longo de três anos.
O Supremo abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades e vazamentos de dados da Receita Federal de ministros da Corte e de seus familiares. O STF afirmou em nota que a investigação foi iniciada como um desdobramento do inquérito das fake news, do qual Moraes é relator.
"Alguns membros do tribunal parecem acreditar que têm um problema, pelo menos com a percepção pública", diz o texto. A revista afirma que isso é importante porque candidatos de direita podem ampliar sua presença no Congresso Nacional nesta eleição, e que parte deles usa como bandeira a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
Para tentar melhorar a imagem da instituição, o presidente do Supremo, Edson Fachin, propôs a adoção de um código de conduta para os membros do tribunal. Em entrevista exclusiva ao Estadão, o ministro afirmou que é uma "medida de defesa" da Corte.
"Os senhores Toffoli e Moraes reagiram imediatamente. Ambos afirmam nunca terem julgado um caso com conflito de interesses e que a adoção de um código de ética é desnecessária. Independentemente de suas crenças, seus inimigos no Congresso estão de olho", afirma a The Economist, em referência a declarações dos ministros em sessão da Corte.