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Política

Testemunha diz que ex-funcionária relatou a ela que ministro do STJ a 'apalpou'; veja vídeo

Mulher que trabalhava no gabinete de Marco Buzzi contou, em depoimento ao CNJ, relatos de suposta vítima; ministro nega acusações

10 abr 2026 - 19h47
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BRASÍLIA - Uma testemunha das investigações sobre denúncias de assédio sexual contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relatou em depoimento que uma das supostas vítimas do magistrado contou a ela episódios de abuso.

Os depoimentos estão sob segredo de Justiça e foram obtidos pelo Estadão. Com base nos relatos e em outros elementos de prova, o STJ vai decidir na próxima terça-feira, 14, se abre processo administrativo contra o ministro. A tendência é que a resposta seja positiva. Ao fim do procedimento, o tribunal decidirá se condena, ou não, Buzzi.

A defesa do ministro nega as acusações e diz que o vazamento de depoimentos "viola as regras de sigilo do procedimento, atenta contra as garantias fundamentais do investigado e visa, deliberadamente, pressionar o Superior Tribunal de Justiça". (Leia a íntegra abaixo.)

O STJ vai decidir se abre processo administrativo contra o ministro Marco Buzzi
O STJ vai decidir se abre processo administrativo contra o ministro Marco Buzzi
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil / Estadão

"Ela falou que, em algum desses momentos, ele apalpou ela, segurou o braço dela, ela tentou se desvencilhar, mas ele segurou o pulso dela e ela falou que ele tocou no corpo dela. (...) Nesse dia, ela falou: 'Isso não aconteceu só uma vez, aconteceu outras vezes'", contou a testemunha, que também trabalhava no gabinete de Buzzi.

A testemunha confirmou que a colega relatou a ela pelo menos quatro episódios de assédio cometidos pelo ministro, como comentários sobre o corpo da funcionária e toques indevidos.

"Ela mencionou (que ele disse): 'a senhora tem um atributo diferente das mulheres do Sul'. Porque ela é grande, tudo. Aí ele falou o nome da parte (do corpo) e (disse) 'a senhora tem muito grande, a senhora é muito bonita'", relatou a testemunha.

No depoimento, a testemunha afirma que algumas vezes chegava mais cedo ao trabalho e notava que a colega estava "nervosa". De acordo com ela, era possível perceber que a funcionária estava com medo e tinha dificuldade em reagir ao comportamento do ministro.

"Eu sempre vi o medo dela em falar as coisas. Ela ficava com receio de falar as coisas, ser mais firme. Ela tinha esse medo de falar", disse.

Uma segunda testemunha que trabalhava no gabinete, também ouvida pelo CNJ, afirmou em depoimento que a suposta vítima teria pedido a ele para substituí-la em funções que exigissem que ela se aproximasse do ministro.

"Algumas vezes, a encontrei um pouco chorosa, não querendo falar muito, comentar muito, mas relatou não diretamente sobre a situação específica, mas (perguntou) se eu poderia substituí-la em alguma demanda que o ministro porventura viesse a solicitar", declarou.

A testemunha confirmou que teve a percepção de que poderia estar acontecendo uma situação de assédio sexual.

"Ela chegou a comentar algumas coisas. Sobre elogios, sobre algum avanço além do normal. Não sei maiores detalhes", disse.

Antes da ex-funcionária, uma jovem de 18 anos relatou ter sido importunada sexualmente pelo ministro. O crime teria ocorrido durante o recesso, quando Buzzi recebeu uma família de amigos em sua casa de praia, em Balneário Camboriú (SC). A filha do casal, que chamava o ministro de tio, relatou que Buzzi tentou agarrá-la à força. O magistrado também nega essa acusação.

Além dos processos administrativos no CNJ e no STJ, Buzzi também responde a inquérito criminal no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso está em sigilo, sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.

Em nota, a defesa do ministro nega as acusações:

A defesa do Ministro Buzzi repudia o vazamento do depoimento da segunda denunciante, divulgado em texto e vídeo nesta semana.

O ato viola as regras de sigilo do procedimento, atenta contra as garantias fundamentais do investigado e visa, deliberadamente, pressionar o Superior Tribunal de Justiça. É também uma violação das garantias fundamentais de todo e qualquer cidadão, bem como da própria advocacia.

Não é casual que todos os vazamentos verificados neste caso tenham envolvido exclusivamente elementos de acusação.

Os múltiplos elementos de contraprova e o interrogatório do investigado jamais receberam qualquer publicidade. A seletividade é a prova da estratégia - e o avesso da lealdade processual.

A defesa confia na independência e no histórico institucional do Tribunal para que tais manobras não alcancem o efeito pretendido.

Estadão
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