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Teorias conspiratórias têm adesão além do campo bolsonarista

Será que essas alegações sem fundamento sobre as urnas eletrônicas podem ser aceitas por parte do eleitorado? Infelizmente a resposta é sim

31 jul 2021 05h10
| atualizado às 07h51
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O presidente Jair Bolsonaro tinha prometido apresentar provas de que as urnas eletrônicas foram fraudadas nas eleições de 2014 e 2018. Na sua transmissão o que apresentou, porém, foram teorias conspiratórias que circulam há muito tempo na internet. O TSE foi ágil e publicou contestações a todas elas. Mas será que essas alegações sem fundamento podem ser aceitas por parte do eleitorado? Infelizmente a resposta é sim.

O presidente Jair Bolsonaro na live desta quinta-feira, 29.
O presidente Jair Bolsonaro na live desta quinta-feira, 29.
Foto: Twitter/Reprodução / Estadão Conteúdo

A eficácia da máquina de propaganda bolsonarista se deve a três motivos. O primeiro é que trabalha para desmontar a confiança nas instituições. Como a Justiça Eleitoral e o jornalismo estariam tomados pelo inimigo, suas posições são consideradas enviesadas e sem credibilidade, abrindo espaço para explicações alternativas.

O segundo trunfo do bolsonarismo é apelar para teorias conspiratórias, a crença de que processos complexos são explicados por uma orquestração oculta de elites poderosas, quando explicações mais plausíveis são oferecidas por autoridades epistemológicas como o jornalismo ou as ciências sociais. A ideação conspiratória tem adesão significativa na população e vai além do campo bolsonarista.

Finalmente, a máquina bolsonarista explora o viés de confirmação, a disposição psicológica que faz com que tendamos a aceitar acriticamente afirmações que confirmam nossas crenças e a rejeitar afirmações que as contestem. Esse viés é tanto maior quanto mais arraigadas forem as convicções. Assim, em um ambiente polarizado, alegações especulativas e implausíveis são aceitas por quem já aderiu à visão de mundo bolsonarista.

*PROFESSOR DE GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS NA USP

Estadão
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