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Tarcísio de Freitas vence Fernando Haddad e é reeleito governador de São Paulo no primeiro turno

Governador promete segundo mandato focado no cidadão e 'muito próximo' das periferias; vitória o cacifa para disputar a Presidência em 2030

4 out 2026 - 19h49
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Resumo
Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno com 62,85% dos votos, derrotando Fernando Haddad (PT), que obteve 36,22%. Apoiado por mais de 600 prefeitos e com uma campanha focada na continuidade e na gestão eficiente, Tarcísio consolidou sua força política e desponta como potencial nome para a Presidência em 2030. Em seu novo mandato, prometeu focar nas periferias, avançar no saneamento e concluir obras de infraestrutura e segurança.

Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo neste domingo, 4. Com 90,04% das urnas apuradas, ele tem 62,85% dos votos válidos e não pode ser mais alcançado pelo seu principal adversário na disputa eleitoral, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que recebeu 36,22% dos votos até o momento.

Tarcísio já havia derrotado o petista na eleição passada, mas no segundo turno. A disputa paulista não era definida na primeira etapa da votação desde 2014, com Geraldo Alckmin, também última vez que São Paulo reelegeu o incumbente.

Tarcísio de Freitas chega à seção eleitoral para votar acompanhado da primeira-dama, Cristiane Freitas Foto Tiago Queiroz/Estadão
Tarcísio de Freitas chega à seção eleitoral para votar acompanhado da primeira-dama, Cristiane Freitas Foto Tiago Queiroz/Estadão
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

O resultado deste domingo posiciona Tarcísio como um potencial candidato à Presidência em 2030 - nos últimos anos, a cadeira de governador de São Paulo tem servido de trampolim para disputar o Planalto, como aconteceu com o próprio Alckmin e o ex-governador José Serra. Tarcísio era cotado para suceder Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial deste ano, mas acabou preterido por Flávio Bolsonaro (PL).

Com a vitória em primeiro turno, a expectativa da campanha de Flávio é que Tarcísio mergulhe de cabeça na disputa nacional. Aliados do governador dizem que o governador o fará sob o argumento de que é preciso derrotar o PT.

Uma vitória de Flávio, no entanto, pode ser uma pedra no caminho da eventual candidatura presidencial do governador, já que o senador estaria habilitado a disputar a reeleição. Ao longo da campanha, o filho de Bolsonaro acenou ao governador que proporá o fim da reeleição, abrindo espaço para Tarcísio disputar o Planalto se assim desejar.

Do outro lado, Haddad, apontado como um dos nomes para suceder Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sofreu a quarta derrota eleitoral seguida - a última vez que ele sagrou-se vitorioso foi quando disputou a Prefeitura de São Paulo, em 2012.

Tarcísio promete segundo governo 'muito próximo' das periferias

A segunda vitória de Tarcísio foi mais tranquila que a primeira. Ele liderou as pesquisas eleitorais de ponta a ponta e a vitória veio sem maiores dificuldades - há quatro anos, ele só ultrapassou o petista quando as urnas foram abertas e, mesmo assim, foi preciso o segundo turno para consolidar a vantagem.

Além disso, em 2022, menos de uma dezena de prefeitos apoiou o então ex-ministro da Infraestrutura recém-chegado de Brasília. Com a máquina nas mãos e mais conhecido do meio político paulista, Tarcísio recebeu o apoio de mais de 600 mandatários municipais - o principal deles, o da capital, Ricardo Nunes (MDB), que mergulhou de cabeça na campanha do aliado, retribuindo o gesto do governador no pleito municipal de dois anos atrás.

O mote da campanha de Tarcísio foi a continuidade. O governador defendeu que colocou São Paulo no rumo certo, mas pediu mais quatro anos para concluir as obras iniciadas e ampliar programas lançados. Ele foi apresentado como um gestor eficiente e com sensibilidade social, capaz de fazer entregas e levar prosperidade para a vida dos paulistas.

Dessa forma, Bolsonaro e o bolsonarismo, fundamentais para a vitória em 2022, ficaram em segundo plano. Outra mudança foi a ausência de Gilberto Kassab (PSD). Antes peça indispensável na articulação política e na coordenação da campanha, o cacique partidário acabou sendo escanteado após tentar, sem sucesso, ser o vice na chapa do governador. Tarcísio optou por manter a dobradinha com o vice-governador Felício Ramuth, que trocou o PSD pelo MDB.

Quem ganhou espaço foi o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, político capixaba que já havia substituído Kassab na Secretaria de Governo no início do ano.

Coube a Carneiro coordenar a campanha e montar a ampla coligação do governador com 10 partidos. O movimento esvaziou as candidaturas de centro e de direita e acabou transformando a votação deste domingo, 4, em um segundo turno antecipado entre Tarcísio e Haddad.

Para o segundo mandato, o governador prometeu universalizar o saneamento básico até 2029 com a privatização da Sabesp, promover um pacto pela matemática para melhorar o desempenho dos alunos, e priorizar obras que melhorem a qualidade de vida na periferia.

"Podem esperar um governo muito focado no cidadão, muito próximo das periferias, um governo que vai olhar a dor das pessoas [...] e que vai procurar caminhar junto das vocações de São Paulo", declarou o governador ao votar na manhã deste domingo.

Estão previstas a conclusão do Trem Intercidades Campinas-São Paulo e de parte das obras que compõem o projeto do novo Centro Administrativo, aposta do governador para revitalizar o centro da capital paulista após as ações do primeiro mandato para esvaziar a Cracolândia.

A campanha de Tarcísio também buscou dar atenção especial às mulheres. Ele iniciou o período eleitoral com uma roda de conversas com eleitoras em Osasco (SP) e, ao longo da campanha destacou propostas voltadas ao eleitorado feminino, como a criação das Casas da Mãe Atípica e um pacote de medidas para mães que querem empreender. Ele também propôs a criação de um cadastro público com condenados por violência contra a mulher.

Na segurança pública, o governador prometeu ampliar o programa Muralha Paulista para todos os 645 municípios paulistas. O programa utiliza câmeras de vigilância e inteligência artificial para combater a criminalidade. As imagens serão concentradas e analisadas no Centro de Inteligência e Inovação, que integrará as polícias Militar, Civil, Penal, além da Guarda Civil Metropolitana.

Estadão
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