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Política

Tabata quer ser prefeita por 8 anos, mas feito não ocorre em SP há mais de um século; entenda

Reeleição no Executivo foi instituída em 1997, mas, desde então, nenhum prefeito paulistano ficou no cargo durante oito anos. Em um século, só um mandatário superou a marca; saiba quem é

3 fev 2024 - 17h26
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Em uma cidade conhecida por gestões fugazes nos últimos anos, a pré-candidata a prefeita Tabata Amaral (PSB), se eleita, pretende fazer diferente. "Eu quero ser prefeita por oito anos", disse a deputada federal em entrevista ao Papo com Editor, do Broadcast Político/Estadão. "São Paulo é grandiosa demais para a gente ter um prefeito por dois, três anos como a gente teve ultimamente", explicou Tabata.

Por mais que estivesse se referindo aos últimos anos, quando a cidade, de fato, presenciou a mandatos picotados no Executivo, Tabata poderia estar falando de uma característica que remonta há mais de um século: faz mais de 100 anos que um prefeito paulistano não permanece no cargo durante oito anos, como quer Tabata Amaral.

O último a superar a marca foi Antônio da Silva Prado, que detém o recorde do tempo à frente da Prefeitura paulistana. Prado permaneceu 12 anos no cargo, entre 1899 e 1911. No início do século, as nomeações ocorriam por meio da Câmara Municipal de São Paulo. Em 1907, numa eleição direta de caráter experimental, Prado foi eleito para seu último período no cargo.

Reeleição no Executivo é recente

A falta de prefeitos que façam frente ao tempo de mandato de Prado ocorre, num primeiro aspecto, porque o instituto da reeleição em cargos Executivos é relativamente recente no País. Praxe no Legislativo, a reeleição para prefeitos, governadores e presidente da República só foi instituída em 1997, com a Emenda à Constituição 16. Antes disso, o mandatário era impedido de concorrer à reeleição ao fim de sua gestão.

O último século também foi marcado pela ditadura militar, de 1964 a 1985. Durante o regime, o comando das capitais estaduais, como São Paulo, era determinado a dedo pelos governadores. Nenhum interventor paulistano passou mais do que quatro anos no cargo.

A reeleição dos prefeitos paulistanos

Mesmo depois de instituída a reeleição, nenhum prefeito conseguiu cumprir oito anos à frente do Executivo local. Celso Pitta (PPB e PTN), mal avaliado, nem sequer concorreu a um segundo mandato, em 2000. Naquela eleição, quem venceu a disputa foi Marta Suplicy (PT), que, no pleito seguinte, perdeu a recondução para José Serra (PSDB).

Foi Serra quem inaugurou a sina recente dos prefeitos paulistanos que deixam o Executivo municipal de olho em outros projetos políticos, como o governo estadual. Ele permaneceu menos de um ano e meio à frente do cargo, renunciando à Prefeitura para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. O vice, Gilberto Kassab (PSD, então no DEM), hoje secretário de governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi o primeiro prefeito de São Paulo a conquistar a reeleição, em 2008, derrotando Marta Suplicy.

O ex-prefeito José Serra despede-se do seu secretariado na presença do novo prefeito Gilberto Kassab na sede da Prefeitura em 2006
O ex-prefeito José Serra despede-se do seu secretariado na presença do novo prefeito Gilberto Kassab na sede da Prefeitura em 2006
Foto: Mônica Zarattini/Estadão / Estadão

Kassab concluiu o segundo mandato, mas, como havia assumido a Prefeitura somente após a renúncia de Serra, não completou oito anos no cargo. Em 2012, Fernando Haddad, hoje ministro da Fazenda, venceu José Serra no pleito municipal. Naquela eleição, a renúncia do tucano ao cargo foi utilizada como trunfo pela campanha do petista.

Haddad foi prefeito entre 2013 e 2017, sendo o único mandatário da última década a ter permanecido no cargo durante os quatro anos previstos. Ele perdeu a reeleição em 2016 para João Doria (PSDB), que assumiu publicamente o compromisso de completar ao menos quatro anos no cargo, mas deixou a Prefeitura menos de 15 meses depois.

Fernando Haddad perdeu a reeleição para João Doria, que prometeu ficar quatro anos à frente da Prefeitura, mas renunciou ao cargo menos de um ano e meio depois de assumir
Fernando Haddad perdeu a reeleição para João Doria, que prometeu ficar quatro anos à frente da Prefeitura, mas renunciou ao cargo menos de um ano e meio depois de assumir
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Com a saída de Doria, seu vice, Bruno Covas (PSDB), assumiu o cargo. Tal como Kassab, também conquistou a reeleição, no pleito de 2020. No entanto, em 2021, logo após iniciar o segundo mandato, foi vítima de um câncer no aparelho digestivo. No total, Covas permaneceu três anos e 40 dias no cargo. Nunes, se reeleito em 2024, pode superar os prefeitos paulistanos do século 21, à exceção de Kassab, mas não atingirá oito anos na Prefeitura.

Bruno Covas e Ricardo Nunes em caminhada no bairro Valo Velho, no extremo sul da capital, durante campanha eleitoral de 2020
Bruno Covas e Ricardo Nunes em caminhada no bairro Valo Velho, no extremo sul da capital, durante campanha eleitoral de 2020
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão
Estadão
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