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Política

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Sob pressão, Jaques Wagner entrega cargo de líder do governo e diz que foi 'em comum acordo'

Alvo da Polícia Federal, senador foi acusado de defender interesses do Banco Master, mas nega irregularidades

24 jun 2026 - 18h03
(atualizado às 18h23)
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BRASÍLIA - Sob pressão do PT e do Palácio do Planalto, o senador Jaques Wagner entregou o cargo de líder do governo nesta quarta-feira, 24, seis dias após ter sido alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, Wagner garantiu que nunca atuou no Congresso para defender os interesses do Banco Master, disse que se sentia "injustiçado", mas afirmou não querer atrapalhar a campanha do presidente à reeeição.

Lula esperava que o senador tomasse a iniciativa de se afastar para não ter de demitir o amigo de mais de 40 anos. Candidato a novo mandato pela Bahia, o senador resistia, sob o argumento de que sua saída equivaleria a uma confissão de culpa.

Diante do diagnóstico de que a permanência de Wagner como líder do governo já respingava no presidente, porém, dirigentes do PT atuaram para convencê-lo a deixar o cargo com o discurso de que saía para se defender.

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Alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, Wagner é acusado de receber propina do Master por meio da compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, em Salvador, pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Wagner resistia a deixar a liderança do governo no Senado, mas foi pressionado por seus correligionários
Wagner resistia a deixar a liderança do governo no Senado, mas foi pressionado por seus correligionários
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Estadão

Além disso, investigações da Polícia Federal também indicaram repasses de R$ 3,5 milhões, por parte de Lima, a uma empresa de seu enteado e de sua nora. A PF também afirma que, em junho de 2023, Lima solicitou à sua secretária a compra de ingressos para Wagner e seus parentes, no valor de R$ 63,3 mil, para o show de Taylor Swift, em Los Angeles. A compra teria sido feita pela Reag Investimentos, gestora de recursos envolvida em negócios com o Master.

A PF também descobriu no apartamento de Wagner dinheiro em espécie - notas de US$ 55 mil e 33 mil euros -, ao lado de 13 relógios.

Wagner afirma que o dinheiro é fruto de "diárias legais" e declaradas, pagas a ele pelo Senado para viagens internacionais. Alega que, para não levar as notas, teria quitado as despesas nessas missões oficiais com cartão de crédito.

Nos bastidores, porém, ministros e dirigentes do PT dizem que imagem de dinheiro em espécie é mortal para qualquer campanha. Além disso, no caso do PT, ressuscita a pecha de corrupção que marcou campanhas do partido após os escândalos do mensalão e do petrolão.

O líder do PT no Senado sustenta, por sua vez, que nunca atuou para beneficiar o Master no Congresso. Quanto ao apartamento em Salvador, diz que pediu a Augusto Lima para comprar o imóvel sob a condição de recomprá-lo depois para a filha morar. Justificou o pedido com o argumento de que o prédio ainda estava em construção.

Estadão
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