Seis jornalistas de veículo de fact-checking são presos no Egito
DETENÇÕES ATINGIRAM TODA A EQUIPE EDITORIAL DO SITE MATSADAASH; PAÍS ENFRENTA CRÍTICAS INTERNACIONAIS POR VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS
Autoridades do Egito prenderam toda a equipe editorial da plataforma de checagem Matsadaash, totalizando seis jornalistas detidos sem informações sobre seus paradeiros ou acusações. Conhecido por desmentir declarações do governo e expor irregularidades oficiais, o veículo foi alvo de uma repressão condenada por mais de 80 organizações de imprensa e direitos humanos, como a RSF, que exigem a libertação imediata do grupo em meio a uma crescente onda de cerceamento à liberdade de expressão no país.
Autoridades egípcias prenderam toda a equipe editorial da organização de checagem de fatos Matsadaash, que faz parte da rede AFCN (Arab Fact-Checkers Network). "Em mais uma escalada das medidas de segurança contra jornalistas da Matsadaash, os editores Mohamed Mahmoud e Omar Hilal foram detidos, elevando para seis o número total de jornalistas da Matsadaash presos nas últimas horas", afirmou o veículo em sua página no Facebook. "Toda a equipe editorial da Matsadaash está agora sob custódia", acrescentou, após a detenção de outros quatro membros da equipe desde segunda-feira.
Segundo a organização, nenhuma informação oficial foi divulgada sobre os locais de detenção ou os processos judiciais contra os jornalistas.
Ao menos 81 organizações de sociedade civil e veículos de imprensa assinaram um manifesto pela liberação dos jornalistas presos, incluindo Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) e Associação Internacional de Checagem de Fatos (IFCN).
"O jornalismo independente é fundamental em qualquer sociedade livre, e a falha das autoridades egípcias em permitir o livre exercício da liberdade de expressão vai contra o seu suposto compromisso com o diálogo, a transparência, o combate à corrupção e a liderança regional", diz o manifesto. "A repressão contra a plataforma Matsadaash e essas prisões representam escaladas alarmantes contra a imprensa independente e a liberdade de expressão que não podem ser toleradas."
A Iniciativa Egípcia para os Direitos das Pessoas (EIPR), entidade independente de defesa dos direitos humanos, confirmou as prisões e condenou "a repressão policial contra a plataforma informativa".
Segundo a EIPR, quatro dos jornalistas foram presos em suas casas no Cairo, em Gharbia e em Port Said, enquanto outros dois foram detidos em uma rua da capital.
Em comunicado, a Matsadaash descreveu as prisões como "um evento sem precedentes para a plataforma, que levanta sérias questões sobre as medidas tomadas contra toda uma redação e seus jornalistas".
A plataforma se especializou em verificação de notícias e checagem de fatos desde 2018, frequentemente desmentindo declarações feitas por autoridades e agências governamentais.
Suas publicações recentes incluem uma checagem de fatos sobre declarações do ministro das Relações Exteriores egípcio, Badr Abdelatit, a respeito do número de refugiados no país, assim como uma reportagem expondo nepotismo em nomeações para o Ministério Público.
O Egito tem enfrentado críticas nacionais e internacionais por violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão. Segundo a EIPR, um total de 26 jornalistas foram presos no Egito em decorrência de seu trabalho.
Recentemente, uma repressão generalizada também levou à prisão de usuários do Discord, criadores de conteúdo online, comediantes e outros comentaristas.
Organizações de direitos humanos acusam as autoridades egípcias de deter um grande número de dissidentes, alegação que as autoridades negam, alegando, em vez disso, que esses indivíduos foram detidos sob acusações criminais. /com informações de AFP
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