'Se tiver um presidente que é amigo do Hamas, é para ele que vou ligar', diz Lula sobre reféns
Presidente chamou de 'loucura' o poder de veto dos cincos membros titulares do Conselho de Segurança da ONU e voltou a defender reforma do colegiado
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira, 27, que entraria em contato com qualquer país que se declarasse aliado do Hamas para intervir pela libertação dos reféns sob posse do grupo terrorista desde o ataque do dia 7 de outubro a Israel. O petista argumentou, porém, que seria necessário fazer demandas semelhantes ao governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para que abrisse as fronteiras e libertasse os presos palestinos.
"Se eu tiver informação 'Ô, Lula, tem um presidente de tal país que é amigo do Hamas', é para ele que eu vou ligar. (Quero dizer) 'Ô, cara, fala para o Hamas libertar os reféns, p...' E também falar para o governo de Israel liberar os presos, os sequestrados, abrir a fronteira para os estrangeiros saírem", disse Lula em café com jornalistas, no Palácio do Planalto.
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Os norte-americanos vetaram a resolução apresentada pela diplomacia brasileira para que fosse instalado um cessar-fogo humanitário entre Israel e Hamas para a retirada de civis da Faixa de Gaza. O governo Joe Biden argumentou que o texto apresentado pelo Brasil não citava o direito de autodefesa de Israel. De acordo o presidente, o Conselho se resume a uma disputa de vetos entre os Estados Unidos e a Rússia.
"É importante lembrar que foi o Oswaldo Aranha (diplomata brasileiro), que presidiu a sessão de 1947, que criou o Estado de Israel. A ONU, portanto, deveria agora ter coragem de assegurar a criação do Estado palestino para viver em paz, harmonicamente. É isso que queremos, e disso o Brasil não abre mão", afirmou.
Diante da derrota, o governo Lula reforçou o discurso de reforma do Conselho de Segurança da ONU. "Queremos democratizar o Conselho, porque hoje ele vale muito pouco", destacou o presidente. "O Brasil tem que ser generoso na relação, porque é esse País de paz que queremos construir. E é uma contradição com os cinco países do Conselho de Segurança. São os cinco países que fabricam armas, que vendem armas e falam em guerra. Por isso é que nós queremos mudar o Conselho de Segurança. Queremos que entrem vários países."