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Política

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Relatório usado por Moraes para acusar Mendonça não segue parâmetros de inteligência, diz associação

Organização que reúne profissionais da Abin diz que relatório de inteligência não pode servir como 'mera reunião de informações, conjecturas ou opiniões'

5 set 2026 - 19h11
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Resumo
A associação de profissionais da Abin (Intelis) afirmou que o relatório da PF usado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir investigação contra André Mendonça não seguiu os parâmetros metodológicos da atividade de inteligência. Sem valor probatório, cabeçalho oficial ou assinatura de delegado, o documento cita relatos anônimos sobre suposta interferência de Mendonça na PF. O episódio gerou crise no STF, e a entidade defendeu leis mais claras para regulamentar o setor de inteligência.

BRASÍLIA — O relatório usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir uma investigação contra o ministro André Mendonça não seguiu parâmetros metodológicos da atividade de inteligência, segundo nota da Intelis, a União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O pedido foi feito após a decisão que expôs os diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro com o próprio Moraes, revelados pelo Estadão. O relatório interno da Polícia Federal usado por Moraes não tem "valor probatório", como expôs o próprio documento.

De acordo com a Intelis, "o conteúdo divulgado na mídia não apresenta características compatíveis com os parâmetros metodológicos estabelecidos pela Doutrina da Atividade de Inteligência, documento público que orienta a produção de conhecimentos no âmbito do Sistema Brasileiro de Inteligência."

A associação pontua que a doutrina estabelece uma Metodologia de Produção do Conhecimento (MPC), com procedimentos rigorosos de coleta, avaliação, análise, validação e difusão das informações, destinados a assegurar objetividade, consistência e impessoalidade ao produto final. "Não se trata, portanto, de mera reunião de informações, conjecturas ou opiniões", diz a nota.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news e pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de Mendonça. O caso desencadeou uma crise sem precedentes na Corte.

Para os profissionais da Abin, um relatório de inteligência deve trazer análise de fatos, situações, ameaças, riscos e cenários relevantes, oferecendo conhecimento qualificado ao tomador de decisão. "Não é instrumento destinado à substituição de procedimentos investigativos ou à formação de elementos de autoria e materialidade próprios da persecução penal, atividade submetida às garantias processuais específicas."

O documento usado por Moraes não tem cabeçalho oficial da PF nem é assinado por nenhum delegado. O relatório cita relatos anônimos dizendo que André Mendonça tentou interferir indevidamente no andamento de acordos de delação premiada da PF. Aponta, também sem identificar a fonte, que o ministro disse não confiar na atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ou do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Para a Intelis, falta uma legislação para regular os limites e as características da atividade de inteligência. A organização defende a análise do Projeto de Lei n° 6423, de 2025, em tramitação no Senado, que estabelece diretrizes e regras para as atividades de inteligência no Brasil, regulamenta o acesso a dados, o uso de técnicas sigilosas e a proteção dos profissionais de inteligência.

"O estabelecimento de limites claros não enfraquece a Inteligência. Ao contrário, fortalece sua legitimidade e assegura que sua atuação permaneça vinculada ao interesse público, ao Estado Democrático de Direito e à defesa dos interesses nacionais", diz a associação.

Estadão
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