Quem é Gladson Cameli, governador do Acre e alvo de operação da Polícia Federal
Progressista integra família tradicional na política do Estado e já atuou como senador e deputado federal; Cameli nega irregularidades e diz estar 'sereno'
O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quinta-feira, 5. À frente do Palácio Rio Branco desde 2018, o progressista integra uma família tradicional na política do Estado e já atuou como senador e deputado federal.
Cameli é o principal alvo da Operação Ptolomeu - investigação que deu origem a nove inquéritos que miram o governador, suspeito de desviar R$ 16 milhões. Em nota, Cameli comunicou que está 'sereno' após as diligências.
Filiado ao partido Progressistas desde 2005, Cameli entrou na vida pública aos 28 anos, quando foi eleito deputado federal pelo Acre em 2006, cargo que ocupou até 2014, quando disputou o Senado Federal. Ele deixou o legislativo em 2018, ano em que se elegeu governador.
Buscas da PF
Durante a ação desta quinta-feira, 5, os agentes recolheram dispositivos eletrônicos e uma quantia em dinheiro que, segundo o governador, teria "origem privada" e era mantida como "reserva financeira".
Em dezembro de 2025, a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi votou para condenar Cameli a 25 anos de prisão por dispensa indevida de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela também propôs a perda do cargo.
A ação em julgamento na Corte Especial do STJ é a primeira ofensiva decorrente da Operação Ptolomeu a ser analisada pelos ministros. Nela, a Procuradoria-Geral da República (PGR) atribui ao governador o papel de liderança em um suposto esquema de desvio de dinheiro em contratos públicos do Acre. Ele é apontado como o principal beneficiário dos desvios.
Cameli nega irregularidades e sustenta que as acusações não foram comprovadas. Em nota divulgada após o voto da relatora, o governador afirmou que está pendente a "exposição do voto da ampla maioria dos ministros, o que torna o resultado totalmente inconclusivo".