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Política

PT aprova manifesto sem citar Master, mas inclui defesa de reformas agrária e da comunicação

Texto faz comparações com a gestão de Jair Bolsonaro, mas o nome do ex-presidente também foi retirado do documento

26 abr 2026 - 14h41
(atualizado às 15h35)
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BRASÍLIA — O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste domingo, 26, seu manifesto com diretrizes do partido para este ano. A versão final do texto foi desidratada a pedido do Palácio do Planalto, excluindo mais de dez citações diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e também retirando um parágrafo que fazia defesa da reforma no sistema financeiro e mencionava o caso do Banco Master.

O documento final foca na comparação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Bolsonaro, mas se referindo ao governo anterior e sem citar o nome do ex-presidente.

Jair Bolsonaro (PL), além de estabelecer um plano do que deve ser foco em um eventual quarto mandato do petista.

Lula não participou do congresso, conforme previsto inicialmente pelo partido. O presidente passou por procedimentos de saúde na última quinta-feira, 23, em São Paulo, e permanece em repouso. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, sentou-se ao lado direito do presidente do PT, Edinho Silva, na cerimônia. Para contornar a ausência do presidente da República, o PT transmitiu um discurso de Lula em encontro global de líderes progressistas, em Barcelona, realizado na última semana.

Partido dos Trabalhadores (PT) realiza o encerramento do 8° Congresso Brasil Justo, realizado em Brasília
Partido dos Trabalhadores (PT) realiza o encerramento do 8° Congresso Brasil Justo, realizado em Brasília
Foto: wilton junior/Estadão / Estadão

O manifesto foi aprovado por unanimidade pelos militantes presentes no congresso neste domingo. O texto é mais sucinto que o programa partidário e evita polêmicas. O programa será discutido nas próximas semanas pelo diretório nacional do partido. Um dos principais pontos que acabou sendo retirado do manifesto foi a defesa de uma reforma do sistema financeiro, mencionando especificamente a necessidade desse tipo de mudança por causa do escândalo envolvendo o Banco Master.

O partido manteve outros pontos no manifesto. A linha de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento — reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento (marca da esquerda), retomada do crescimento econômico com distribuição de renda (marca dos governos petistas) e transição produtiva, tecnológica e ambiental (adotada com mais ênfase a partir da campanha de 2022) — foi mantida.

O manifesto trata como "eixo central da tática política" a reeleição do presidente Lula. Também propõe sete reformas essenciais — duas delas acrescentadas ao longo do fim de semana para atender a outras alas do partido. Constavam no documento desde sexta-feira, 24, a defesa de uma reforma política e eleitoral; uma tributária; uma tecnológica; uma reforma do Judiciário; e uma administrativa.

A cúpula do partido acrescentou, neste domingo, no rol de reformas essenciais, a reforma agrária, "garantindo soberania alimentar", e a reforma do setor de comunicação, "garantindo o cumprimento da Constituição, que proíbe monopólios no setor".

Outro ponto mantido é a defesa de uma "permanente transição geracional" no próprio partido, com limite no número de mandatos (no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância). A versão final também fala em garantir "no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação". A proposta de programa não falava nem em garantir a renovação interna no partido nem a equidade de gênero nos postos de decisão da legenda.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse que o objetivo do manifesto é "chamar o centro para compor com o Lula", evitando polêmicas que possam afastar setores que não são da esquerda da candidatura petista.

"O manifesto tem de ser a centralidade de falar com o País e chamar o centro para compor com o Lula, isso que é fundamental", disse o ministro na chegada ao congresso do PT neste domingo.

O presidente Lula se envolveu na construção do manifesto ao longo da última sexta-feira, 24, principalmente, assim como o Palácio do Planalto. Veio do governo, por exemplo, o pedido para que o documento fizesse mais comparações entre as gestões de Lula e de Bolsonaro. Também veio do governo o pedido para que a reforma do sistema financeiro ficasse de fora do manifesto.

Em vídeo enviado ao congresso do PT, exibido na sexta-feira, 24, Lula disse que o partido tem de "prometer as coisas que temos facilidade e possibilidade de fazer" em seu programa. Foi uma cobrança em relação a alguns pontos polêmicos incluídos no texto e que acabaram excluídos na última versão.

Estadão
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