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Política

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Primo e Beto Louco são apontados por ligação com PCC e delatores de esquema de sonegação na BA

22 mai 2026 - 19h27
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As delações premiadas dos empresários Roberto Augusto Lemes da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, levaram o Ministério Público da Bahia a realizar a Operação Khalas, que resultou na prisão de três servidores públicos do Estado suspeitos de envolvimento em um esquema criminoso de sonegação de impostos. Conforme mostrou o Estadão, as fraudes teriam causado um prejuízo de R$ 400 milhões aos cofres públicos.

Beto e Primo foram apontados como os principais elementos de um esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC), que visava a lavagem de dinheiro por meio da cadeia produtiva de postos de combustíveis. O Estadão procurou a defesa de Beto Louco e de Mourad. O criminalista Guilherme San Juan, que representa os dois, disse que não pode se manifestar sobre os termos do acordo.

O esquema foi alvo, em agosto de 2025, da Operação Carbono Oculto, realizada em 10 Estados do País e que contou com uma ação integrada de diferentes órgãos e forças policiais. Suspeitos de comandarem o esquema, Beto e Primo foram considerados foragidos após a operação tiveram a prisão decretada em outubro do ano passado durante a Operação Primus, deflagrada pelo MP da Bahia.

Mohamad Hussein Mourad, o Primo, era dono da distribuidora de combustíveis Aster, que chegou a receber R$ 2,22 bilhões dos R$ 17,7 bilhões em movimentações suspeitas do BK Bank, uma das fintechs investigadas na Carbono Oculto. A Aster teve sua atuação suspensa pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em 2024.

Por essa razão, ele foi descrito como o "epicentro das operações", e teria montado a rede criminosa com familiares, sócios e profissionais cooptados para fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

Ele também seria dono de uma rede de postos de combustíveis que estariam em nome de laranjas e ligado também à Copape, uma formuladora de combustíveis. As investigações que levaram a deflagração da Carbono Oculto apontaram que o grupo formado por Copape e Aster era gerido por Primo e também por Beto Louco, apontado como colíder da organização criminosa.

A organização criminosa do qual ambos faziam parte teria adulterado 11 milhões de litros de combustível na Bahia desde 2023, conforme investigações do MP, Polícia Civil e Secretaria Estadual da Fazenda. O grupo Copape/Aster também vinha sendo monitorado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Após a prisão decretada, eles tiveram a delação premiada rejeitada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Procuradoria Geral da República, mas acabaram fechando um acordo com o MP da Bahia, especificamente com o Grupo de Atuação e Combate à Sonegação Fiscal do órgão.

Efeitos da delação

Primo e Beto Louco forneceram informações que levaram o MP a deflagrar a Operação Khalas. Os empresários delataram Olavo Oliva, um auditor fiscal que atua na Coordenação de Petróleo e Combustíveis (COPEC). Ele foi preso. Outro acusado, o empresário Cyro Valentini, dono da refinaria Dax, também foi alvo da operação, mas ele se encontra em Portugal.

Oliva seria o controlador da Dax Oil, principal refinaria da Bahia e que mantém negócios com o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, que teve a prisão decretada pelo Supremo tribunal Federal (STF) e está foragido. As defesas de Oliva e de Valentini não foram encontradas assim como a de Magro. O espaço segue aberto.

De acordo com os investigadores, "o esquema visava ocultar a importação de insumos, como nafta e solventes químicos, que eram desviados para unidades de mistura clandestinas, conhecidas como 'batedeiras'".

"Nesses locais, os produtos eram misturados e vendidos diretamente em postos de combustíveis como se fossem diesel e gasolina, sem o devido recolhimento tributário. Além disso, autuações fiscais milionárias teriam sido suprimidas mediante pagamento de propina", informaram os promotores da Bahia.

Com Oliva, a polícia baiana apreendeu R$ 263 mil em espécie entre reais e moedas estrangeiras. Por conta da operação, os agentes cumpriram 13 mandados de buscas em Salvador, Feira de Santana, Candeias - onde dois funcionários públicos chegaram a ser afastados de suas funções - e Camaçari. Cinco pessoas físicas e sete jurídicas tiveram seus bens bloqueados pela Justiça.

Estadão
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