Primeiro-ministro do Canadá deve conquistar maioria parlamentar em eleições especiais
É provável que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, garanta nesta segunda-feira a maioria parlamentar para seu governo liberal, uma vitória que lhe daria a capacidade de levar adiante a agenda legislativa que ele diz ser necessária em um mundo geopolítico cada vez mais incerto e dividido.
Três eleições especiais estão sendo realizadas nesta segunda-feira em Ontário e Quebec, sendo duas cadeiras em distritos -- conhecidos como ridings -- que há muito tempo votam nos liberais. A vitória em apenas uma dessas disputas dará a Carney a maioria. As pesquisas mostram que os liberais devem conquistar pelo menos duas cadeiras.
Carney disse que isso o ajudaria a lidar de forma mais eficaz com a guerra comercial com os Estados Unidos, iniciada pelo presidente Donald Trump. Os liberais de Carney têm atualmente 171 assentos na Câmara, com 343 assentos.
Com maioria parlamentar, Carney terá mais liberdade para governar -- e solidificar seu controle sobre a liderança do Canadá até pelo menos 2029, quando as eleições nacionais deverão ser realizadas.
"Ele poderá aprovar leis sem ter que recorrer à oposição para garantir votos suficientes", disse Andrew McDougall, professor assistente de política canadense na Universidade de Toronto. Os liberais contaram com o apoio seletivo dos conservadores para aprovar leis econômicas e comerciais no último ano.
McDougall disse que um governo majoritário também permitiria que Carney decidisse o momento da próxima eleição. Os governos minoritários correm o risco de uma eleição rápida se perderem uma moção de confiança e, em geral, duram menos de dois anos.
Depois que cinco parlamentares da oposição em cinco meses desertaram para os liberais de Carney, ele também deve ter uma margem um pouco mais confortável do que uma única cadeira.
Somente os governos liderados por John A. Macdonald e Jean Chrétien viram mais políticos desertarem para o partido governista.
"GRANDE TENDA LIBERAL"
A política conservadora de longa data Marilyn Gladu trocou de partido na quarta-feira para se juntar ao governo de Carney, dizendo que o Canadá precisa de "um líder sério que possa lidar com a incerteza que surgiu devido às tarifas norte-americanas injustificadas."
Gladu, uma ex-engenheira química que já foi criticada por promover tratamentos científicos não comprovados durante a pandemia da Covid-19, por se opor à proibição da terapia de conversão sexual e por sugerir que as forças armadas fossem usadas para acabar com os protestos liderados pelos indígenas contra os oleodutos, agradeceu a Carney por convidá-la para "a grande tenda liberal."
Carney disse na quinta-feira que os valores fundamentais do Partido Liberal, como inclusão, diversidade e salvaguarda das proteções da Carta de Direitos e Liberdades do Canadá, não mudaram e que fazer parte da bancada do governo significa apoiar esses princípios.
Yves-François Blanchet, líder do partido separatista Bloc Quebecois, no entanto, disse que "as diferenças ideológicas entre os liberais e os conservadores estão ficando cada vez mais finas a cada minuto".
O Bloc Quebecois está em uma disputa extremamente acirrada com os liberais em Terrebonne, Quebec. Os liberais venceram por apenas um voto na última eleição federal, mas o resultado foi anulado pela Suprema Corte do Canadá devido a um erro de impressão no envelope de um eleitor.
As duas outras cadeiras estão em Ontário, incluindo uma vaga deixada pela ex-vice-primeira-ministra Chrystia Freeland, além de outra anteriormente ocupada pelo ex-legislador liberal Bill Blair, que renunciou após ser nomeado embaixador no Reino Unido. Espera-se que os liberais mantenham ambas as cadeiras.
"O que estamos vendo agora é uma mudança de foco para o Partido Liberal", disse Laura Stephenson, presidente do departamento de ciências políticas da University of Western Ontario.
Ela disse que, embora o antecessor de Carney, Justin Trudeau, tenha deslocado o partido para a esquerda e priorizado questões como reconciliação com os povos indígenas, direitos para grupos minoritários e imigração, há assuntos mais urgentes para Carney, que tem sido um líder mais centrista.
"Ele está concentrado em ajudar o Canadá a sobreviver à turbulência econômica, não em refazer a sociedade", disse ela. "Quando estamos em tempos difíceis como este, há cálculos diferentes sendo feitos."
Uma pesquisa recente da Nanos mostra que mais da metade dos canadenses prefere Carney como primeiro-ministro, com apenas 23% escolhendo o líder conservador Pierre Poilievre. Antes de Carney se tornar líder do Partido Liberal no ano passado, a projeção era de que Poilievre venceria a próxima eleição por mais de 20 pontos.
"Carney fez um bom trabalho mostrando aos canadenses que pode lidar com Trump", disse McDougall, da Universidade de Toronto. "Ele mostrou aos canadenses que é um administrador competente da economia e do país", disse ele. "E, até agora, os canadenses não ficaram muito impressionados com as alternativas."