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Política

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PGR não levou adiante relato de Vorcaro sobre Lula por falta de prova, diz revista; PT chama matéria de 'peça eleitoral irresponsável'

Documentos apontam que ex-banqueiro afirmou pagar recursos em esquema com ex-tesoureiro do PT e ministro Alexandre Padilha

9 out 2026 - 12h09
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Vorcaro teria liberado dinheiro para documentário sobre Lula por negócios no governo, diz revista
Vorcaro teria liberado dinheiro para documentário sobre Lula por negócios no governo, diz revista
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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatou ter negociado o pagamento de cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no exterior. As informações foram reveladas pela Veja, que afirma ter tido acesso a um áudio e a documentos nos quais o banqueiro descreve a suposta negociação com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

O banqueiro teria apresentado os relatos em um anexo encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com a Veja, a Procuradoria não levou o caso adiante sob a justificativa de que não havia provas da história, uma vez que os pagamentos teriam sido realizados em espécie.

Em nota no site oficial do PT, a campanha de Lula afirmou que "É estarrecedor que, a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, a revista Veja estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova. A reportagem é uma peça eleitoral irresponsável baseada em outra peça eleitoral: o suposto depoimento de Daniel Vorcaro, construído sobre acusações sem comprovação, com o evidente propósito de tumultuar o processo eleitoral e favorecer o adversário. Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa."

O dinheiro teria sido destinado à produção do documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, além de outros valores que, de acordo com Vorcaro, teriam sido pagos diretamente ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto, amigo do presidente.

De acordo com a revista, Vorcaro afirma que a aproximação com o PT foi articulada por seu então sócio e CEO do Banco Master, Augusto Lima, com a participação de integrantes do partido na Bahia. O objetivo seria obter acesso a fundos de previdência de servidores públicos federais, incluindo os ligados ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e à Previ.

Segundo o banqueiro, em uma primeira reunião com Vaccari, teria sido discutida a realização de pagamentos para viabilizar o credenciamento do Master junto aos fundos. A proposta incluiria cerca de R$ 30 milhões em espécie para cobrir despesas do documentário sobre Lula, além de valores destinados ao instituto que leva o nome do presidente.

Em um áudio citado pela Veja, Vorcaro comenta a participação financeira no filme e faz uma comparação com o patrocínio do longa Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais”, afirma o banqueiro no trecho divulgado pela revista. Na sequência, ele diferencia as duas operações: “Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”..

Suposta cobrança de propina

Ainda conforme o relato de Vorcaro, Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre os valores que o Banco Master conseguisse captar junto a fundos de previdência. Caso a operação tivesse sido concretizada nos valores pretendidos, o montante poderia chegar a R$ 1 bilhão, segundo os cálculos apresentados pelo banqueiro.

Vorcaro mencionou a atuação de outros nomes ligados ao governo federal, entre eles o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e seu então secretário-executivo, Olavo Noleto. O banqueiro afirmou que operadores ligados ao grupo teriam ajudado a aproximar o Master dos fundos de previdência.

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicariam contatos entre o banqueiro e pessoas ligadas ao grupo. Houve ainda reuniões e tratativas para viabilizar investimentos dos fundos no banco.

As alegações, contudo, não significam que os pagamentos ou o suposto esquema tenham sido comprovados judicialmente. Segundo a revista, a PGR descartou o anexo que reunia esses relatos, e Vorcaro não apresentou publicamente comprovação de todos os pagamentos descritos.

Lula nega ter recebido recursos

Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”.

Alexandre Padilha também negou relação com o banqueiro, enquanto Olavo Noleto declarou não ter qualquer relação com Vorcaro nem ter recebido recursos dele. Os demais citados não haviam se manifestado até a publicação, segundo a Veja.

A revista afirma ainda que não há prova de que Lula tenha se reunido com Vorcaro, apesar de mensagens que sugeririam tentativas de organizar um encontro entre os dois. A reunião confirmada no Palácio do Planalto, segundo a publicação, ocorreu em dezembro de 2024 e tratou da situação do Banco Master junto ao Banco Central.

Vorcaro trabalha atualmente em uma terceira proposta de delação. Os relatos sobre o documentário, os pagamentos ao Instituto Lula e as supostas negociações com fundos de previdência fazem parte das informações que o banqueiro afirma ter apresentado às autoridades.

Roberto Justus se pronuncia sobre mensagens enviadas a Daniel Vorcaro por aportes na SteelCorp:
Fonte: Portal Terra
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