Prerrogativas aponta falso depoimento de Vorcaro contra Lula e pede investigação da PF
Advogados querem esclarecer a origem do material e apurar uma suposta oferta de benefícios ao banqueiro em troca das declarações
O grupo Prerrogativas acionou a Polícia Federal para investigar um suposto depoimento de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, contra o presidente Lula e ministros. O banqueiro teria alegado o repasse ilegal de R$ 30 milhões para um documentário sobre o petista em troca de acesso a fundos de pensão. Os advogados contestam a versão e pedem apuração sobre possíveis motivações eleitorais e promessas de soltura a Vorcaro, além de apurar ligações com a campanha de Flávio Bolsonaro.
O grupo jurídico Prerrogativas acionou a Polícia Federal para investigar um depoimento de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo os advogados, as declarações pretendiam provocar desgaste político contra o petista, integrantes do governo e ministros em meio à disputa eleitoral.
A iniciativa partiu dos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida. Informações divulgadas pela 'Folha de S.Paulo' e pelo 'ICL Notícias' apontam que o grupo recebeu relatos de que Vorcaro teria recebido estímulos para fazer acusações relacionadas ao financiamento do documentário 'Lula', dirigido pelo cineasta Oliver Stone.
Os integrantes do Prerrogativas afirmam, contudo, que não tiveram acesso direto à gravação atribuída ao banqueiro. Com a representação, querem que a PF verifique a procedência do conteúdo e esclareça em quais circunstâncias as declarações teriam surgido.
"Foi dito ao grupo Prerrogativas que esse depoimento [de Vorcaro] foi dado recentemente à Polícia Federal, com o objetivo de trazer prejuízos políticos e eleitorais ao presidente Lula, à campanha e a alguns ministros, que foram indevidamente envolvidos nesse suposto pedido", afirmou Carvalho à 'Folha de S.Paulo'.
Vorcaro e o documentário de Lula
De acordo informações obtidas pela 'Veja', ex-dono do Banco Master teria declarado, em áudios e documentos encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), que repassou aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo, de forma não oficial, para uma produção internacional sobre Lula e para o Instituto Lula.
O relato atribuído ao banqueiro também cita o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ministro Alexandre Padilha, então à frente da Secretaria de Relações Institucionais. Vorcaro teria relacionado os pagamentos ao interesse do Banco Master em acessar operações envolvendo fundos de pensão de servidores federais, como Previ, Petros e Postalis.
Marco Aurélio Carvalho, no entanto, contesta essa versão e nega que Vorcaro tenha financiado o documentário dirigido por Oliver Stone. Para o advogado, a acusação pretendem criar uma equivalência com 'Dark Horse', produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que aparece em outra investigação relacionada a recursos do banqueiro.
"Com base nessa informação nós vamos requerer à Polícia Federal que instaure inquérito para apurar se essas notícias são ou não verdadeiras. Em um passado recente isso foi usado com o objetivo de provocar prejuízos eleitorais", declarou.
Advogados apontam falso depoimento
Outra suspeita apresentada pelo Prerrogativas envolve possíveis benefícios para o banqueiro e seu pai, Henrique Vorcaro. "Em contrapartida, Vorcaro receberia como um gesto a soltura do seu pai e também a promessa da sua própria soltura, que seria feita depois da eleição, com tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar", acrescentou Carvalho.
Por isso, os advogados pedem que a PF determine se houve alguma negociação relacionada às declarações do ex-dono do Banco Master. Segundo o 'ICL Notícias', a representação também menciona um HD que reuniria acusações contra adversários políticos de Flávio Bolsonaro, integrantes do governo Lula e ministros.
O que o Prerrogativas pede à PF?
Os advogados, portanto, querem que a Polícia Federal reconstrua o caminho do suposto material. Para isso, pedem a identificação de quem teria produzido a gravação, das pessoas que receberam o conteúdo e de eventuais responsáveis por sua circulação.
Ademais, o grupo solicita que a PF analise registros de visitas e da entrada de equipamentos eletrônicos na unidade prisional onde Vorcaro cumpre prisão. A medida busca esclarecer se alguém produziu uma gravação relacionada ao caso dentro do local.
Outra frente mira os intermediários que teriam procurado emissoras de televisão para negociar entrevistas com o banqueiro. Os advogados querem identificar essas pessoas e verificar eventuais vínculos com integrantes, fornecedores ou financiadores da campanha de Flávio Bolsonaro.
Se localizar a gravação, então, o Prerrogativas pede ainda que a PF compare seu conteúdo com os depoimentos oficiais de Vorcaro. Além disso, solicita a análise juntamente com as propostas de colaboração premiada apresentadas anteriormente.
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