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Política

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É falso que relatório da PF tenha descartado corrupção em 'Dark Horse'

FLÁVIO BOLSONARO É INVESTIGADO POR SUPOSTOS CRIMES ENVOLVENDO O CASO, QUE TEM CONEXÃO COM O ESCÂNDALO DO BANCO MASTER

24 set 2026 - 12h01
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Resumo
É falsa a alegação de que a Polícia Federal descartou corrupção no filme Dark Horse e inocentou Flávio Bolsonaro. O relatório policial, tornado público após decisão de André Mendonça e não de Flávio Dino, aponta que o senador cobrou repasses diretamente do banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto Eduardo Bolsonaro gerenciava os valores nos EUA. Diante das evidências, a PF pediu ao STF abertura de investigação específica contra os envolvidos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

O que estão compartilhando: que um relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmaria que não houve corrupção no filme Dark Horse. Isso provaria que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) estava falando a verdade.

Publicação mente ao afirmar que relatório da Polícia Federal disse que não houve corrupção no filme Dark Horse
Publicação mente ao afirmar que relatório da Polícia Federal disse que não houve corrupção no filme Dark Horse
Foto: Reprodução/TikTok / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O relatório da Polícia Federal sobre a investigação não diz isso. O documento, assinado em 8 de julho de 2026, aponta que o senador não era apenas um terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, e sim um interlocutor direto de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas tratativas relacionadas ao financiamento do filme.

O relatório indica que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, seria a pessoa que decidia como o dinheiro repassado por Vorcaro deveria ser gasto nos Estados Unidos, onde mora. Com essas evidências, a PF pediu que o ministro do STF André Mendonça instaurasse um procedimento separado para investigar Flávio e outros citados nas conversas sobre o filme pelos possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

Além disso, o relatório da PF não foi tornado público por Flávio Dino. Na realidade, o documento veio à tona após Mendonça retirar o sigilo de parte dos inquéritos envolvendo o Banco Master, a pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin. O sigilo quebrado por Flávio Dino foi outro: da investigação da Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produtora do filme.

Saiba mais: Flávio Bolsonaro é investigado desde julho. Em maio deste ano, The Intercept Brasil publicou áudios em que Flávio cobrava de Vorcaro dinheiro supostamente prometido para financiar o filme. O valor acertado era de R$ 134 milhões, e o banqueiro chegou a repassar pelo menos R$ 61 milhões.

O restante do dinheiro foi cobrado por Flávio Bolsonaro reiteradas vezes diretamente a Vorcaro, a quem chamou de "irmão". A Polícia Federal apura se o dinheiro foi destinado a financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

No dia 12 de setembro, após a derrubada do sigilo de parte dos documentos do caso Master, Flávio Bolsonaro disse, durante um ato de campanha em Cabo Frio (RJ), que nada surgiu contra ele e que esse é o "maior atestado de idoneidade".

Relatório da PF menciona conversas e pede investigação por corrupção

O relatório da Polícia Federal mostra a cobrança de Flávio Bolsonaro a Vorcaro e sinaliza mensagens em que Eduardo Bolsonaro era apontado como a pessoa que geria o dinheiro nos EUA.

Em 8 de dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda, ligado a Vorcaro, entrou em contato com o banqueiro para agendar uma reunião com Flávio Bolsonaro para tratar do "filme do presidente". A reunião foi marcada para 11 de dezembro de 2024 e, na véspera, Miranda encaminhou a Vorcaro uma mensagem de Flávio informando que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) participaria do encontro.

Entre janeiro e março de 2025, há conversas entre Vorcaro, Miranda e Fabiano Zettel mencionando Flávio ou Eduardo Bolsonaro e cobranças sobre os aportes para o filme. Zettel é cunhado de Vorcaro e foi preso em uma operação da PF. A partir de agosto do ano passado, o próprio Flávio Bolsonaro passou a falar diretamente com Vorcaro.

Há menção a uma reunião no dia 20 de agosto de 2025. No dia 8 de setembro, Flávio mandou um áudio a Vorcaro cobrando pagamentos sobre o filme. Em 16 de setembro eles se falaram por telefone, e a partir de 17 de setembro há mais mensagens para marcar outro encontro.

No dia 22 de outubro, Flávio disse a Vorcaro que o filme estava no terceiro dia de gravação e que a produção estava "no limite". Pediu que, se Vorcaro não pudesse fazer o depósito, o avisasse para que buscasse outra solução. Em 16 de novembro, na véspera da prisão de Vorcaro, Flávio tentou ligar para o banqueiro e depois mandou uma mensagem: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!".

No relatório, a Polícia Federal diz que "tais elementos indicam que o senador Flávio Nantes Bolsonaro não aparece apenas como terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, mas como interlocutor direto de Daniel Vorcaro em tratativas relacionadas ao financiamento da produção, inclusive com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações".

O que Flávio Dino tornou público

No dia 13 de setembro deste ano, Dino tornou públicos outros documentos relativos ao filme Dark Horse: o conteúdo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produtora do filme, a Go Up, e o deputado federal Mário Frias, idealizador do filme. Eles são suspeitos de desvios de recursos públicos, inclusive de emendas parlamentares do deputado.

Essa apuração tem Dino como relator. Ele determinou que todo o material recebido pela Justiça estadual de São Paulo seja encaminhado à Polícia Federal. Na decisão, argumentou que o material reforçou a hipótese de conexão entre as duas frentes de investigação sobre o filme. Flávio Bolsonaro não foi citado nessa decisão.

Estadão
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