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Política

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Partido de suplente de Rui Costa banca candidatura de deputado preso sob acusação de chefiar milícia na BA

Avante manterá candidatura de Binho Galinha, condenado por crimes envolvendo armas e investigado como líder de organização criminosa

28 jul 2026 - 10h55
(atualizado às 11h10)
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Rui Costa (esq), ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato a senador, Ronaldo Carletto (centro), ex-deputado federal e presidente do Avante, e Binho Galinha (dir), deputado preso e condenado a mais de 36 anos de prisão
Rui Costa (esq), ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato a senador, Ronaldo Carletto (centro), ex-deputado federal e presidente do Avante, e Binho Galinha (dir), deputado preso e condenado a mais de 36 anos de prisão
Foto: Reprodução/Redes sociais/Divulgação/Alba

O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) terá como primeiro suplente em sua chapa na disputa ao Senado pela Bahia o presidente estadual do Avante, Ronaldo Carletto, partido que decidiu manter a candidatura à reeleição do deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, preso por liderar uma organização criminosa armada e acusado de chefiar uma milícia em Feira de Santana, cidade que fica a cerca de 110 km de Salvador.

Detido desde outubro do ano passado, o parlamentar, que foi eleito pela primeira vez em 2022 pelo Patriota com 49.834 mil votos, foi condenado no último dia 10 em primeira instância a 36 anos e nove meses de prisão por posse irregular de armas e munições, incluindo armamentos de uso restrito e com numeração adulterada, e por permitir o seu uso por um adolescente. Antes de ser preso, o deputado integrava o PRD, mas foi suspenso da legenda após a prisão.

O Avante filiou Binho Galinha este ano, com o parlamentar preso e tendo assinado a ficha de dentro da Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador. A filiação teve o aval de Rui Costa, que embora seja do PT, exerce forte influência sobre o Avante na Bahia. Nos bastidores da política estadual, interlocutores do governo e de partidos da base afirmam que o ex-ministro é o principal fiador político da legenda e tem peso determinante nas decisões da sigla. 

A escolha de Carletto para a primeira suplência da chapa de Rui reforça o argumento dessa proximidade. Durante a convenção estadual do Avante, realizada na segunda-feira, 27, o suplente de Rui confirmou a manutenção da candidatura de Binho Galinha, apesar da condenação criminal. Segundo o presidente do Avante, quando Binho Galinha ingressou na legenda não havia qualquer pendência judicial contra ele, ainda que o parlamentar já estivesse preso. 

"Binho Galinha, quando veio para o Avante, veio no fio do bigode, não tinha nenhum problema com a Justiça. Hoje ele tem problema com a Justiça, a Justiça que resolva. Ele tem hoje uma condenação em primeira instância, mas eu tirei todas as certidões esta semana e ele está apto a disputar a eleição", afirmou Carletto.

Carletto também disse que cumprirá o compromisso assumido com o parlamentar e que caberá à Justiça Eleitoral decidir sobre sua elegibilidade. "Eu vou garantir minha palavra e ele vai ter a legenda dele. A Justiça que resolva essa questão. Não é questão do Avante, é questão do Ministério Público e da Justiça Eleitoral", declarou.

Apesar de estar preso preventivamente desde outubro de 2025, Binho Galinha continua como um dos 63 deputados da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), já que não teve ainda o mandato cassado após a condenação. Da prisão, ele recebe todos os meses R$ 34.774,64 de remuneração bruta como parlamentar. 

Operação El Patrón

A condenação do deputado é um dos desdobramentos da Operação El Patrón, deflagrada pelo MP-BA em dezembro de 2023 para investigar uma organização criminosa armada instalada em Feira de Santana. Conforme a denúncia, o grupo seria liderado por Binho Galinha e teria atuação em diversos crimes, incluindo:

  • lavagem de dinheiro;
  • jogo do bicho;
  • agiotagem;
  • receptação qualificada;
  • comércio ilegal de armas;
  • tráfico de drogas;
  • obstrução da Justiça;
  • usurpação de função pública.

Segundo o MP-BA, a organização também adotava práticas típicas de milícias, utilizando violência e intimidação para garantir o domínio territorial e a exploração de atividades ilícitas. 

Condenação

Na sentença, a Vara Criminal e de Crimes contra a Criança e o Adolescente da Comarca de Feira de Santana concluiu que Binho Galinha mantinha um expressivo arsenal distribuído em imóveis urbanos e rurais, em desacordo com a legislação.

Durante as buscas, foram apreendidos armamentos de uso permitido e restrito, munições, armas com numeração adulterada ou suprimida e equipamentos armazenados em locais não autorizados.

A magistrada também concluiu que o deputado permitiu ou facilitou o acesso de um adolescente a uma arma de fogo. A decisão se baseou em mensagens extraídas do celular do parlamentar nas quais, segundo a sentença, ele orienta o filho, então menor de idade, a pegar um revólver. 

Para a juíza, o diálogo demonstra que o parlamentar "permitiu ou ao menos facilitou o acesso do adolescente a arma de fogo", conduta prevista no Estatuto do Desarmamento.

A pena fixada foi de 36 anos e nove meses de prisão, sendo 10 anos e seis meses pelos crimes relacionados à posse irregular de armas de fogo de uso permitido e 26 anos e três meses por crimes envolvendo armas e munições de uso restrito.

Ao Terra, a defesa de Binho Galinha afirmou que a condenação é de primeira instância e não produz efeitos sobre a elegibilidade do deputado, que permanece no exercício do mandato e de seus direitos políticos até eventual decisão definitiva da Justiça ou manifestação da Justiça Eleitoral.

A reportagem também procurou um posicionamento do ex-ministro Rui Costa sobre as declarações do seu suplente, bem como o endosso da  legenda aliada em uma candidatura de um parlamentar condenado, mas não tivemos retorno até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto para manifestações.

Zema critica PT e propõe corte de gastos ao ter candidatura à presidência oficializada pelo Novo:
Fonte: Portal Terra
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