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Política

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Lula diz que STF deve ser exemplo para a sociedade e defende reforma do Judiciário: 'Não tem trégua'

Presidente e candidato à reeleição diz que Brasil vive momento determinante em meio à crise no Supremo: 'Não dá para o povo brasileiro ficar vendo o STF perder credibilidade na sociedade'

15 set 2026 - 20h44
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Resumo
Em meio à crise institucional no STF, o presidente Lula defendeu uma ampla reforma no Poder Judiciário e a apuração rigorosa de denúncias contra ministros da Corte. Em entrevista, ele cobrou que o tribunal seja exemplo para o país e afirmou que ninguém está acima de investigações sobre supostas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro. A proposta do petista prevê mandatos com tempo limitado para ministros, novos critérios de indicação e restrições para conter conflitos de interesse de parentes.

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta terça-feira que pretende promover uma ampla reforma no Poder Judiciário. Questionado sobre a sessão ocorrida no Supremo Tribunal Federal (STF), em que foram apreciadas questões de ordem relativas ao julgamento sobre a possibilidade de investigação sobre o elo entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, o petista cobrou que a Suprema Corte seja exemplo para o País.

"É muito difícil um torneiro mecânico dar palpite e ficar julgando a Suprema Corte", iniciou Lula. "Chegamos a um momento determinante na história desse País. Não há ninguém que possa fugir do julgamento quando há suspeita ou acusação contra ele", afirmou o presidente em entrevista à Record TV.

Lula concorre ao quarto mandato como presidente.
Lula concorre ao quarto mandato como presidente.
Foto: Wilton Júnior/Estadão / Estadão

Lula defendeu que seja apurado com rigor todas as denúncias que foram feitas sobre a atuação dos ministros do STF.

"A Suprema Corte está dotada de todas as informações. Os sigilos foram quebrados. O Fachin tem a faca e o queijo na mão para saber quem fez o que na Suprema Corte. Quem fez deve ser punido e julgado. Não dá para o povo brasileiro ficar vendo o STF perder credibilidade na sociedade. A instância máxima da Justiça precisa ser exemplo. Que se apure com todo o rigor, abra-se o sigilo telefônico de todo mundo", disse Lula.

O petista também criticou a conduta do ministro André Mendonça que, para o presidente, havia preservado algumas informações e só deu publicidade àquilo que lhe convinha.

"Aquilo que o Mendonça havia guardado como segredo de Estado e soltava o que interessava a ele agora pode ser aberto para todo mundo. Por que o Toffoli não votou, por que o Kassio não votou? Quem é que levou dinheiro e participou dessa trama do Vorcaro?", questionou o candidato à reeleição.

"O Vorcaro é uma quadrilha que envolveu muita gente do Judiciário e da política. Vamos colocar o Brasil a nu para ver se a gente consegue fazer o Brasil ser melhor para o povo brasileiro. Não tem trégua, é preciso investigar todos, sem distinção", indiciou Lula.

Lula disse que vai promover uma reforma no Judiciário, com redefinição do tempo de mandato de ministros de cortes superiores e definição de novos critérios para a indicação de ministros. No entanto, o petista não precisou quais seriam esses critérios nem o tempo que defende de mandato.

"Precisamos de uma reforma profunda no Judiciário, em que a gente discuta o tempo de mandato e a escolha do candidato. Quem for ministro não pode querer ficar rico. As pessoas não poder estar no Judiciário e o filho, a mulher e o pai advogando. É preciso criar critério de moralização. Se as instâncias que vão julgar padecem de desconfiança, que mundo vamos criar?", questionou Lula.

Segundo o líder petista, "o Supremo deve ser o exemplo magnânimo". Lula afirmou que o Supremo "ninguém pode ficar sob suspeita". "Quem tiver cometido erro que pague o preço que o povo brasileiro exige. O Judiciário precisa virar exemplo e não contribuir para a desconfiança da sociedade", concluiu.

Lula passou a defender, com mais ênfase, uma reforma no Judiciário como forma de mitigar os impactos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) em sua campanha. Seu partido, o PT, já tem defendido ao menos desde o início deste ano esta posição.

O estabelecimento de mandatos para ministros dos tribunais superiores, por exemplo, é um dos pontos citados de forma lateral. Limites às decisões monocráticas também estão entre os pontos citados para uma reforma. O PT tem defendido maior representatividade da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O STF vive uma crise institucional que se intensificou nas últimas duas semanas. O último capítulo, responsável por mergulhar o STF em uma crise de vez, foi a revelação pelo Estadão de mensagens entre Vorcaro e Moraes. A investigação também mostrou que o ministro do Supremo editou o contrato firmado entre o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Master.

Estadão
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