O que sabe sobre matéria da revista Veja sobre suposto elo de Vorcaro e Lula; PT chama matéria de 'peça eleitoral irresponsável'
Polícia Federal soltou nota oficial e negou existência de material que liga ex-banqueiro ao petista
A revistaVeja divulgou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatou ter negociado o pagamento de cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no exterior. A publicação afirma ter tido acesso a um áudio e a documentos nos quais o banqueiro descreve a suposta negociação com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Porém, a Polícia Federal afirmou que o empresário "não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito".
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De acordo com a Veja, o banqueiro teria apresentado os relatos em um anexo encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), e a Procuradoria não teria levado o caso adiante sob a justificativa de que não havia provas da história, uma vez que os pagamentos teriam sido realizados em espécie.
Em nota no site oficial do PT, a campanha de Lula afirmou que "É estarrecedor que, a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, a revista Veja estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova. A reportagem é uma peça eleitoral irresponsável baseada em outra peça eleitoral: o suposto depoimento de Daniel Vorcaro, construído sobre acusações sem comprovação, com o evidente propósito de tumultuar o processo eleitoral e favorecer o adversário. Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa."
Segundo o UOL, o áudio divulgado pela revista não consta em nenhuma das três propostas de delação premiada formalizadas pela defesa de Daniel Vorcaro. Além disso, o site diz que a conversa não consta em todo o conteúdo apreendido do celular do banqueiro, que compreende do período de julho de 2012 a 17 de novembro de 2025.
A Polícia Federal também reforçou em nota oficial que "as propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa".
Em contato com o Terra, Daniel Bialski, responsável pela defesa de Daniel Vorcaro, afirmou que “não estava na defesa quando foram apresentadas as propostas de colaboração e, o que posso afirmar é que ele não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal discorrendo sobre isso”.
O que diz a matéria da Veja
Vorcaro afirma, de acordo com a revista, que a aproximação com o PT teria sido articulada por seu então sócio e CEO do Banco Master, Augusto Lima, com a participação de integrantes do partido na Bahia. O objetivo seria obter acesso a fundos de previdência de servidores públicos federais, incluindo os ligados ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e à Previ.
O dinheiro teria sido destinado à produção do documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, além de outros valores que, de acordo com Vorcaro, teriam sido pagos diretamente ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto, amigo do presidente.
Segundo o banqueiro, em uma primeira reunião com Vaccari, teria sido discutida a realização de pagamentos para viabilizar o credenciamento do Master junto aos fundos. A proposta incluiria cerca de R$ 30 milhões em espécie para cobrir despesas do documentário sobre Lula, além de valores destinados ao instituto que leva o nome do presidente.
Em um áudio citado pela Veja, Vorcaro comenta a participação financeira no filme e faz uma comparação com o patrocínio do longa Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais”, afirma o banqueiro no trecho divulgado pela revista. Na sequência, ele diferencia as duas operações: “Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”.
Suposta cobrança de propina
Ainda conforme o relato de Vorcaro, Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre os valores que o Banco Master conseguisse captar junto a fundos de previdência. Caso a operação tivesse sido concretizada nos valores pretendidos, o montante poderia chegar a R$ 1 bilhão, segundo os cálculos apresentados pelo banqueiro.
Vorcaro mencionou a atuação de outros nomes ligados ao governo federal, entre eles o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e seu então secretário-executivo, Olavo Noleto. O banqueiro afirmou que operadores ligados ao grupo teriam ajudado a aproximar o Master dos fundos de previdência.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicariam contatos entre o banqueiro e pessoas ligadas ao grupo. Houve ainda reuniões e tratativas para viabilizar investimentos dos fundos no banco.
As alegações, contudo, não significam que os pagamentos ou o suposto esquema tenham sido comprovados judicialmente. Segundo a revista, a PGR descartou o anexo que reunia esses relatos, e Vorcaro não apresentou publicamente comprovação de todos os pagamentos descritos.
Lula nega ter recebido recursos
Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”.
Alexandre Padilha também negou relação com o banqueiro, enquanto Olavo Noleto declarou não ter qualquer relação com Vorcaro nem ter recebido recursos dele. Os demais citados não haviam se manifestado até a publicação, segundo a Veja.
A revista afirma ainda que não há prova de que Lula tenha se reunido com Vorcaro, apesar de mensagens que sugeririam tentativas de organizar um encontro entre os dois. A reunião confirmada no Palácio do Planalto, segundo a publicação, ocorreu em dezembro de 2024 e tratou da situação do Banco Master junto ao Banco Central.
Vorcaro trabalha atualmente em uma terceira proposta de delação. Os relatos sobre o documentário, os pagamentos ao Instituto Lula e as supostas negociações com fundos de previdência fazem parte das informações que o banqueiro afirma ter apresentado às autoridades.
Em nota oficial, Alexandre Padilha também contestou o conteúdo publicado pela revista. "Merece repúdio que um suposto depoimento e um áudio com indícios de fraude e manipulação de um criminoso confesso seja usado para tumultuar o processo eleitoral para que seu cúmplice, o candidato Flávio Bolsonaro, seja favorecido na falsa tentativa de legitimar R$ 65 milhões destinados supostamente ao filme em homenagem a um ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado e responsável por centenas de milhares de mortes na pandemia."

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