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Política

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'Ninguém é dono da América do Sul', diz Lula em discurso na cúpula do Mercosul

Presidente brasileiro apresentou o Pix, alvo dos norte-americanos, como referência internacional de inclusão financeira

30 jun 2026 - 15h12
(atualizado às 15h55)
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Lula durante lançamento do programa Desenrola; equipe econômica anunciou nova fase voltada para quem paga as contas em dia
Lula durante lançamento do programa Desenrola; equipe econômica anunciou nova fase voltada para quem paga as contas em dia
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa da autonomia e soberania dos países-membros do Mercosul em discurso na 68ª Cúpula do bloco nesta terça-feira, 30, em Assunção, no Paraguai. Sem citar diretamente o nome do presidente americano Donald Trump, Lula afirmou que "ninguém é dono da América do Sul".

"Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses. Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que a região encontre seu espaço em um mundo em transformação", afirmou Lula.

Em seu discurso, o presidente Lula também apresentou o Pix, alvo dos norte-americanos, como uma referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital.

Ele destaca que, por ser um sistema público e gratuito de pagamentos no Brasil, sua arquitetura tecnológica e de funcionamento tem potencial para ir além das fronteiras nacionais. Lula propôs que o modelo do Pix seja utilizado como base para a criação de uma infraestrutura integrada de pagamentos que beneficie todos os cidadãos do Mercosul.

Terremotos na Venezuela

Lula afirmou que o terremoto duplo que assolou a Venezuela na semana passada deve gerar reflexão sobre a importância da cooperação regional.

"Gostaria de reiterar minha solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante das perdas humanas e materiais incalculáveis causadas pelos terremotos da semana passada. Tragédias como essa convidam a uma reflexão sobre a importância da solidariedade e da cooperação regionais", afirmou o presidente no início do discurso.

Ao falar sobre esse e outros eventos climáticos, como o El Niño que deve ter um maior impacto neste ano, Lula sugeriu ao Uruguai, que assume a presidência do Mercosul a partir desta terça, que o bloco construa um mecanismo para enfrentar desastres naturais.

"Eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes demandam maior coordenação regional em matéria de sistemas de alerta precoce e de gestão de desastres. O Mercosul pode ser o embrião de um mecanismo sul-americano de enfrentamento a desastres naturais e de financiamento a medidas de adaptação climática", disse Lula.

Segundo o balanço divulgado pelo governo venezuelano na segunda-feira, 29, os dois terremotos da semana passada deixaram ao menos 1.719 mortos. Há ainda 5.034 feridos e 15.866 desabrigados. Uma projeção da Organização das Nações Unidas (ONU) estima mais de 50 mil desaparecidos.

Estadão
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