Nikolas Ferreira cita Olavo de Carvalho após risada de Boulos: "Risadinha é argumento de..."
Durante um debate na CNN, Nikolas criticou uma suposta acusação de que parlamentares de direita teriam relação com o crime organizado.
O embate entre os deputados Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a chamar atenção nas redes sociais nesta semana. (Vídeo abaixo)
Durante um debate na CNN, Nikolas criticou uma suposta acusação de que parlamentares de direita teriam relação com o crime organizado e reagiu a uma risada de Boulos, citando o escritor Olavo de Carvalho.
"Você acusar um deputado de ter uma relação, de ter ajudado o crime organizado, é algo muito sério. As suas risadas, como diria Olavo: risadinha é argumento de...", afirmou Nikolas, em tom de confronto.
Veja vídeo:
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A menção faz referência a uma frase famosa de Olavo de Carvalho, utilizada com frequência por seus seguidores para criticar opositores.
Em postagem antiga, o escritor dizia que "Risinho de deboche é argumento de puta", em referência a quem responde críticas com ironia ou desprezo, em vez de argumentos sólidos.
Lula afirma que Nikolas Ferreira defendeu o crime organizado
Durante entrevista concedida à rádio Itatiaia nesta sexta-feira, 29 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou sobre a megaoperação que atingiu organizações criminosas envolvidas com adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.
Sem citar diretamente nomes, Lula afirmou que um deputado federal fez campanha contra mudanças no sistema financeiro para "defender o crime organizado". A fala foi uma referência ao vídeo publicado por Nikolas Ferreira (PL-MG) no início do ano.
"Tem um deputado que fez uma campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs e agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado e nós não vamos dar trégua para o crime organizado", disse Lula, em referência a um vídeo em que Nikolas acusava o governo de querer taxar o Pix.
O vídeo citado alcançou mais de 336 milhões de visualizações e viralizou ao acusar o governo federal de tentar "taxar o Pix". Segundo Lula, a Receita Federal já havia proposto mudanças com o objetivo de combater crimes financeiros e rastrear transações suspeitas, principalmente em plataformas digitais.
"Naquele tempo a mudança era para combater o crime organizado. Agora, nós vamos colocar as fintechs com uma apuração mais rígida, porque nós descobrimos que tem muita gente ligada ao crime organizado", afirmou Lula.
Lula defendeu o endurecimento das ações contra movimentações financeiras que escapam da fiscalização. Ele afirmou que a campanha de desinformação contra o Pix teve como efeito colateral o enfraquecimento dos mecanismos de rastreamento, o que teria beneficiado atividades ilícitas.
Sem mencionar nomes, o presidente disse que o parlamentar em questão atuou para "defender o crime organizado". Ainda durante a entrevista, Lula classificou como histórica a operação integrada que aconteceu na quinta-feira, 28 de agosto, e envolveu diversos estados do país.
"Essa foi a mais importante da história. Agora o governo começou a agir fortemente contra o crime organizado", declarou.
Megaoperação mira fraudes com combustíveis
A ofensiva contra o crime organizado aconteceu de forma simultânea em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
A ação teve a participação da Polícia Federal, do Ministério Público de São Paulo, do Ministério Público Federal, da Polícia Civil, da Polícia Militar e de outros órgãos. Segundo as autoridades, a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) estaria envolvida com fraudes fiscais, ambientais e financeiras no setor de combustíveis.
Durante a operação, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão e mandados de prisão preventiva. A Polícia Federal prendeu seis pessoas e apreendeu diversos documentos e materiais para análise. A força-tarefa também identificou movimentações suspeitas ligadas a empresas de fachada e plataformas digitais pouco reguladas.
Notícia-crime contra Nikolas Ferreira chega à PGR
Na noite de quinta-feira, 28 de agosto, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) formalizou uma notícia-crime junto à Procuradoria-Geral da República contra o também deputado Nikolas Ferreira. O petista acusa o parlamentar de ter disseminado informações falsas sobre o sistema financeiro nacional, o que teria facilitado esquemas de lavagem de dinheiro.
No documento, Correia afirma que a publicação com milhões de visualizações incentivou o uso de dinheiro vivo e enfraqueceu os mecanismos de rastreamento financeiro. Segundo ele, a fala de Nikolas contribuiu para que o crime organizado encontrasse brechas regulatórias para operar no país.
"O noticiado [Nikolas] contribuiu de forma decisiva para criar brechas regulatórias e comportamentais que fragilizam os mecanismos de rastreamento digital", diz um trecho da ação. Correia ainda afirma que o discurso do parlamentar fortaleceu a "infraestrutura paralela do crime organizado" e dificultou o trabalho das autoridades.
Governo promete rigor contra atuação de facções
Lula também comentou as críticas feitas por políticos da direita, que acusam o governo de ser leniente com o crime organizado.
"Nós vamos mostrar a cara de quem faz crime organizado", afirmou o presidente. Em tom mais direto, ele mandou um recado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): "Que tome cuidado".
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a ofensiva foi apenas o início de uma atuação mais intensa contra redes criminosas que atuam em setores da economia. As autoridades planejam novas ações com foco em movimentações financeiras atípicas e empresas envolvidas em fraudes estruturadas.
Veja vídeo
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