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Política

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Lula sugere a Trump grupos de trabalho entre países para combater crime organizado e fortalecer comércio

Presidente brasileiro afirmou que propôs duas frentes de cooperação aos EUA: uma multilateral, voltada à segurança pública, e outra bilatera

7 mai 2026 - 17h00
(atualizado às 17h25)
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Com tapete vermelho, Lula é recepcionado por Trump ao chegar à Casa Branca:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 7, que sugeriu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criação de dois grupos de trabalho: um multilateral, voltado ao combate ao crime organizado com participação de outros países, e outro bilateral, entre Brasil e EUA, para tratar de comércio e tarifas.

Em entrevista coletiva após reunião com Trump na Casa Branca, sede do governo americano, Lula detalhou os principais temas discutidos no encontro e avaliou que a conversa fortaleceu a relação entre os dois países. Segundo ele, “as duas maiores democracias do continente podem andar lado a lado”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em Washington.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em Washington.
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República / Estadão

"O Brasil está disposto a construir parcerias onde ele quiser construir. Sem vetos", afirmou.

O petista afirmou que houve debate sobre segurança pública e combate às facções criminosas. Segundo ele, os Estados Unidos já defenderam a instalação de bases militares em outros países como estratégia de enfrentamento ao crime, mas disse estar disposto a construir um grupo internacional de cooperação para combater organizações criminosas. “Podemos resolver em décadas o que não resolvemos em séculos”, declarou.

A possibilidade de classificar facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, no entanto, não foi discutida na reunião. A medida chegou a ser defendida por parlamentares durante a tramitação do chamado PL Antifacção, mas não avançou no Congresso.

Na área econômica, Lula disse estar otimista quanto à possibilidade de evitar novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Ele afirmou ter sugerido a criação de um grupo de trabalho liderado, no lado brasileiro, pelo chanceler Mauro Vieira, para buscar um acordo comercial em até 30 dias.

Durante a conversa, o presidente também ressaltou o superávit comercial dos Estados Unidos na balança bilateral e defendeu maior interesse americano nos produtos brasileiros. Segundo ele, tanto os EUA quanto a Europa deixaram de olhar para a América Latina nos últimos anos, mas citou o acordo entre Mercosul e União Europeia como sinal de retomada desse interesse.

Sobre política internacional, Lula criticou eventuais interferências externas nas eleições brasileiras, embora tenha classificado a relação com Trump como “honesta”. Disse ainda acreditar que o presidente americano deixará de tentar interferir em assuntos internos do Brasil. “Não acredito em interferência de fora”, afirmou.

Ao abordar o tema dos minerais críticos e terras raras, o presidente destacou a aprovação do marco legal do setor e afirmou que o Brasil tratará o tema como questão de soberania nacional, sem preferência por nenhum país. Segundo ele, empresas estrangeiras interessadas poderão investir no desenvolvimento da cadeia produtiva brasileira. “Não queremos ser meros exportadores”, disse, ao citar a exploração colonial de recursos minerais.

Lula também voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU, pauta histórica de sua política externa. Segundo ele, o Brasil precisa ampliar sua participação nas decisões globais hoje concentradas em Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China. O presidente afirmou já ter tratado do assunto com líderes internacionais e sugeriu uma assembleia entre países para discutir mudanças na estrutura da organização.

Lula afirmou que entregou a Trump uma lista de autoridades brasileiras impedidas de entrar nos Estados Unidos, entre elas ministros do STF e aliados do governo. Segundo o presidente, há expectativa de que o líder americano reveja as restrições impostas no auge dos atritos diplomáticos entre os dois países, quando Trump anunciou tarifas contra o Brasil, citando a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro como um dos motivos.

Questionado sobre conflitos internacionais, o presidente disse ser contrário à guerra e defendeu o diálogo como caminho diplomático. Também classificou a guerra entre Israel e Hamas como um “genocídio na Palestina”.

Lula também defendeu o desarmamento nuclear e criticou movimentos internacionais favoráveis à ampliação do uso e da produção dessas armas. Segundo o presidente, é necessário retomar o debate global sobre redução de arsenais nucleares e fortalecimento da diplomacia para evitar conflitos.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o encontro foi “muito produtivo” e destacou que os dois países agora possuem áreas concretas para cooperação. Outros integrantes da comitiva, como os ministros Márcio Elias Rosa, Wellington César Lima e Silva, Dario Durigan e Alexandre Silveira, também elogiaram o resultado da reunião e ressaltaram a defesa da soberania nacional durante as discussões sobre minerais críticos.

Fonte: Portal Terra
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