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Política

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Quem é Raimundo Nogueira, irmão de Ciro Nogueira e investigado pela Polícia Federal

A PF aponta que Raimundo era administrador de uma empresa usada para transferir vantagens econômica para Ciro Nogueira

7 mai 2026 - 16h41
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Irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), o empresário Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima foi alvo nesta quinta-feira, 7, da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal que apura crimes envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências dos irmãos.

Raimundo é casado e pai de dois filhos. Ele é administrador da CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., empresa que, segundo a PF, era usada como um "mecanismo dissimulado" para repassar vantagens financeiras a Ciro Nogueira. Segundo a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a operação, Raimundo integra o núcleo operacional dessa empresa.

O empresário Raimundo Neto Nogueira Lima, ao lado de sua amada Cristiane Freitas Nogueira Lima e dos filhos Gabriela e Luís Eduardo, em viagem pela Europa
O empresário Raimundo Neto Nogueira Lima, ao lado de sua amada Cristiane Freitas Nogueira Lima e dos filhos Gabriela e Luís Eduardo, em viagem pela Europa
Foto: @colunanylbertandradethe via Instagram / Estadão

As investigações apontaram que a CNLF foi responsável pela compra de 30% de outra empresa, a Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão. A PF, porém, sustenta que essa participação teria valor de mercado próximo de R$ 13 milhões, operação que, segundo os investigadores, teria sido viabilizada por Vorcaro. Para a PF, a diferença entre o preço pago e o valor estimado das ações indica uma possível operação usada para transferir vantagem econômica para Ciro Nogueira.

A decisão afirma que Raimundo passou oficialmente a administrar a CNLF em dezembro de 2024, mas seu nome já aparecia no contrato firmado meses antes, em abril daquele ano. O ministro relator André Mendonça escreveu que, em análise preliminar, a atuação dele "não é acidental ou superveniente", mas voltada a dar "forma jurídica e cobertura documental" à operação investigada.

A Polícia Federal também afirma que Raimundo tinha controle sobre documentos societários, registros contábeis e fluxos financeiros da empresa. Segundo os investigadores, isso poderia permitir ocultação ou alteração de provas e atuação coordenada com outros investigados da Operação Compliance Zero, incluindo o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro.

"Em juízo de cognição não exauriente, sua posição funcional não é acidental ou superveniente, mas voltada a conferir forma jurídica e cobertura documental à operação apontada como mecanismo dissimulado de transferência de vantagem econômica ao núcleo político investigado", escreve Mendonça na decisão.

Por esse motivo, o STF determinou medidas cautelares contra ele, como proibição de contato com outros alvos da operação, impedimento de sair do Brasil e uso de tornozeleira eletrônica. A defesa de Raimundo ainda não se manifestou.

Na decisão, o ministro afirma que as medidas são necessárias para "neutralizar riscos concretos à instrução" da investigação e evitar possível continuidade das práticas investigadas. Apesar disso, o STF entendeu que, neste momento, não havia necessidade de decretar prisão cautelar contra Raimundo.

PF apura 'mesada' do Master a Ciro Nogueira

Segundo a investigação, o senador Ciro Nogueira "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar" em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional. A decisão de Mendonça afirma que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil do banqueiro. Segundo a investigação, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil".

Os investigadores também apontam que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.

Entre os gastos mencionados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação cita ainda a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais.

"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", diz a PF.

Como revelou o Estadão, a PF encontrou no celular do banqueiro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como "Ciro". Na ocasião, o parlamentar afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e recebimento de pagamentos.

Leia a íntegra da nota da defesa de Ciro Nogueira

A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.

Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.

Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.

Estadão
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