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Oposição usará fase da Lava Jato para pressionar impeachment

22 fev 2016
16h57
atualizado às 16h57
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Partidos de oposição incluíram na pauta da reunião, marcada para amanhã (23), repercussões da 23ª fase da Operação Lava Jato, denominada Acarajé, deflagrada hoje (22) pela Polícia Federal. A nova etapa da operação teve oito mandados de prisão decretados, entre eles estão o do publicitário João Santana e de sua mulher, Mônica Moura. O casal está fora do país, em viagem à República Dominicana. A polícia investiga o envio irregular de dinheiro para contas do publicitário no exterior. 

Polícia Federal chega a construtora Odebrecht na 23ª fase da Operação Lava Jato
Polícia Federal chega a construtora Odebrecht na 23ª fase da Operação Lava Jato
Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Parlamentares da oposição querem usar as novas investigações para aumentar pressão em relação ao pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM), destacou que os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda estão analisando as contas da campanha da chapa de Dilma e Michel Temer. “Possivelmente esta chapa vai ser cassada. Esta operação vem trazer mais elementos para mostrar que foi usado dinheiro sujo na campanha de Dilma”, disse o líder.

“Esta operação mostra que o PT, reiteradas vezes, vem exercendo esta prática: na eleição do Lula, com Duda Mendonça que em 2005 esteve na CPI do Mensalão, confessando que tinha recebido dinheiro de caixa 2 no exterior. A prática continuou, tanto na reeleição do Lula como também na eleição e reeleição da presidente Dilma Rousseff. Entendemos que esta operação não vai deixar que aconteça o mesmo”, disse Avelino. 

A nova fase da Lava Jato investiga a relação de João Santana com a empresa Odebrecht, que também é alvo das investigações e que teria feito repasses financeiros ao publicitário no exterior. Segundo o delegado Filipe Pace, a suspeita é que os pagamentos para contas secretas de Santana no exterior foram ilegais, provenientes da construtora Odebrecht e do engenheiro Zwi Skornicki, representante oficial no Brasil do Estaleiro Keppel Fels. “A suspeita é que o pagamento veio de serviços eleitorais prestados ao PT”, disse o delegado. João Santana coordenou as duas campanhas da presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, e a campanha de reeleição do ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006.

Vice-líder do governo na Câmara, Silvio Costa (PTdoB-PE), disse que a tentativa da oposição de reacender o debate sobre impeachment é mais “espuma”. “Isto não tem nada a ver com a presidente Dilma. Desafio qualquer brasileiro a ter registrado um telefonema da presidente pedindo dinheiro para a campanha. A presidente não cuidava das finanças da campanha. Todo comitê eleitoral tem seu tesoureiro”, disse.

Para Costa, a oposição também precisa cautela nos julgamentos sobre outros presos.  “João Santana tem a seu favor o princípio da presunção da inocência. É evidente que ele recebeu recursos para a campanha. Ele era o marqueteiro dela”, afirmou.

A Agência Brasil ainda não conseguiu contato com outros líderes do PT e do governo no Congresso. O presidente do partido, Rui Falcão, marcou para tarde de hoje uma apresentação do programa de televisão do PT, que irá ao ar amanhã. A assessoria de imprensa da Casa Civil da Presidência da República informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

 

Agência Brasil Agência Brasil
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