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Jornal que denunciou espionagem destaca 'discurso furioso' de Dilma

The Guardian diz que palavras da presidente brasileira representam a 'mais séria crise diplomática' provocada pelas denúncias

24 set 2013
13h35
atualizado às 13h39
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O jornal britânico The Guardian - que publicou desde junho denúncias sobre um esquema de espionagem em massa mantido pelo governo americano - destacou nesta terça-feira o "discurso furioso" da presidente Dilma Rousseff contra as denúncias de interceptação dos EUA ao Brasil, na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. "O discurso furioso de Rousseff foi um desafio direto ao presidente Barack Obama (...) e representou a mais séria crise diplomática causada pelas revelações do ex-funcionário da NSA (Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, na sigla em inglês) Edward Snowden", escreveu o periódico em sua versão online.

<p>Jornal The Guardian diz que Dilma discursou contra os EUA</p>
Jornal The Guardian diz que Dilma discursou contra os EUA
Foto: The Guardian / Reprodução

O Guardian deu ênfase a vários trechos da fala da presidente Dilma, e lembrou que ela já havia cancelado a visita de Estado que faria aos EUA em outubro com o objetivo de demonstrar sua indignação diante das denúncias. Segundo o jornal, a líder brasileira deu voz a um "grito de guerra global contra o que ela retratou como o presunçoso poder do aparato de segurança americano".

"Os esforços de Washington para amenizar a indignação brasileira sobre a espionagem da NSA foram, até agora, rejeitados por Rousseff, que propôs que os brasileiros construam sua própria infraestrutura de internet", disse a publicação.

Segundo o Guardian, "como anfitriões da sede da ONU, os EUA já foram atacados pela Assembleia Geral muitas vezes no passado". "Mas o que fez a denúncia de Rousseff ainda mais dolorosa diplomaticamente foi o fato de que ela foi feita em nome de um Estado grande, cada vez mais poderoso e historicamente amigável."

Discurso de Dilma repercute na mídia internacional
Outros jornais também deram destaque às palavras da presidente brasileira hoje na ONU. A emissora britânica BBC ressaltou que Dilma chamou de "afronta" os casos de espionagem americana ao Brasil. O mesmo trecho foi sublinhado pelo jornal francês Le Monde.

O argentino Clarín disse que a presidente enviou uma "dura mensagem" contra os EUA. "Sabia-se que a mandatária enviaria uma dura mensagem devido à espionagem global norte-americana da qual ela foi pessoalmente vítima. E assim foi: 'O ciberespaço não pode ser usado como uma arma de guerra', sentenciou a chefe de Estado hoje em Nova York", escreveu o jornal.

A emissora americana Fox News ressaltou o trecho em que Dilma falou que a espionagem é uma "violação dos direitos humanos". O discurso também foi notícia no Washington Post e no Los Angeles Times, entre outros jornais.

Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance da espionagem da inteligência do governo dos EUA.

Ainda segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília, pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.

Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.

O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço secreto americano.

Por conta do caso, o governo brasileiro determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) verifique se empresas de telecomunicações sediadas no País violaram o sigilo de dados e de comunicação telefônica. A Polícia Federal também instaurou inquérito para apurar as informações sobre o caso.

Após as revelações, a ministra responsável pela articulação política do governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.

Monitoramento
Reportagem veiculada pelo programa Fantástico, da TV Globo, afirma que documentos que fariam parte de uma apresentação interna da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos mostram a presidente Dilma Rousseff e seus assessores como alvos de espionagem.

De acordo com a reportagem, entre os documentos está uma apresentação chamada "filtragem inteligente de dados: estudo de caso México e Brasil". Nela, aparecem o nome da presidente do Brasil e do presidente do México, Enrique Peña Nieto, então candidato à presidência daquele país quando o relatório foi produzido.

O nome de Dilma, de acordo com a reportagem, está, por exemplo, em um desenho que mostraria sua comunicação com assessores. Os nomes deles, no entanto, estão apagados. O documento cita programas que podem rastrear e-mails, acesso a páginas na internet, ligações telefônicas e o IP (código de identificação do computador 

Fonte: Terra
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