Janja rejeita volta de militares e governo avalia manter segurança da primeira-dama com PF
Nos bastidores, delegados e integrantes do Gabinete de Segurança Institucional travam disputa por comando de proteção presidencial
BRASÍLIA - A primeira-dama Janja da Silva rejeita a volta de militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para sua segurança imediata, como deveria ocorrer nesta semana. Por causa da recusa, o governo federal avalia a edição de um decreto para manter a responsabilidade da Polícia Federal pela proteção da mulher do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A PF assumiu em janeiro a segurança de Lula e sua família após suposta omissão e conivência do GSI nos ataques golpistas de 8 de janeiro, em Brasília. A crise de confiança também motivou o pedido de demissão do general Edson Gonçalves Dias, o G. Dias, primeiro ministro-chefe do GSI no governo Lula. Ele foi filmado interagindo com golpistas no Palácio do Planalto durante a invasão.
Rui Costa diz que coordenação da segurança presidencial é do GSI com a participação da PF
Mesmo sem a formalização do modelo híbrido, a resistência da primeira-dama aos militares deve fazer com que o governo edite um decreto, no âmbito do Ministério da Justiça, para manter um grupo específico de mulheres da PF no comando de sua segurança. Porém, nem mesmo o esquema das equipes para Lula está definido.
A direção da PF rejeita a criação de um grupo, ou divisão, com policiais subordinados por decreto ao GSI, mas admite a cessão individualizada de servidores para garantir a segurança do presidente. Procurada, a assessoria de imprensa da primeira-dama afirmou que não comenta questões de segurança.
Nos bastidores, permanece a disputa entre PF e GSI. Depois dos ataques de 8 de janeiro, Lula demitiu dezenas de militares do GSI, em uma tentativa de afastar bolsonaristas do seu entorno.