Israel fará primeiro implante de medula espinhal com células do próprio paciente
Israel se prepara para realizar o primeiro implante de medula espinhal do mundo utilizando células-tronco reprogramadas do próprio paciente, em um avanço promissor para a medicina regenerativa.
Israel se prepara para realizar o primeiro implante de medula espinhal do mundo utilizando células-tronco reprogramadas do próprio paciente, em um avanço promissor para a medicina regenerativa. A cirurgia, desenvolvida por cientistas da Universidade de Tel Aviv, já recebeu autorização do Ministério da Saúde de Israel para ser realizada em caráter de uso compassivo com até oito pacientes com paralisia causada por lesões na medula.
O projeto é liderado pelo professor Tal Dvir, do Centro Sagol de Biotecnologia Regenerativa, e conta com a colaboração da startup Matricelf, especializada em engenharia de tecidos humanos. A técnica inovadora consiste em coletar células da pele do paciente, reprogramá-las em laboratório até se tornarem neurônios, e então cultivá-las sobre uma matriz biológica que replica a estrutura da medula espinhal. O objetivo é substituir o tecido nervoso danificado e permitir a reconexão entre cérebro e membros.
O implante de medula espinhal foi testado anteriormente em ratos paralisados, com resultados animadores: 80% dos animais voltaram a andar após o procedimento. Agora, os cientistas acreditam estar próximos de alcançar o mesmo efeito em humanos, o que representa uma verdadeira revolução na abordagem de lesões medulares — um problema que afeta mais de 15 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Casos como o da ex-ginasta brasileira Laís Souza, que ficou tetraplégica após um acidente em 2014, ilustram o drama vivido por muitos pacientes e suas famílias. Para eles, o implante de medula espinhal representa não apenas uma esperança científica, mas também um novo horizonte de vida.
O procedimento, previsto para ocorrer nos próximos meses, pode inaugurar uma nova era na medicina, onde a regeneração de tecidos complexos do sistema nervoso se torne uma realidade. Caso os resultados sejam positivos, o implante de medula espinhal poderá ser expandido para testes clínicos mais amplos e, no futuro, se tornar parte do tratamento regular para vítimas de lesões medulares.