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Política

Irmãos Brazão, acusados de mandar matar Marielle, podem pegar quantos anos de pena se condenados pelo STF? Entenda

O segundo dia do julgamento acontece nesta quarta-feira, 25, com os votos dos ministros pela condenação ou absolvição dos réus

25 fev 2026 - 04h58
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Marielle Franco foi executada por embates na Câmara Municipal do Rio contra grilagem de terras, segundo as investigações
Marielle Franco foi executada por embates na Câmara Municipal do Rio contra grilagem de terras, segundo as investigações
Foto: Renan Olaz/CMRJ

Quem puxou o gatilho que matou Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes já confessou o crime e foi condenado por isso. Mas quem mandou matar a vereadora do Rio de Janeiro? As investigações apontam para os irmãos Brazão – Chiquinho Brazão, vereador na época do crime e depois eleito deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio –, que podem ser condenados ou absolvidos nesta quarta-feira, 25, no segundo dia do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) reforçou o pedido pela condenação, os advogados se manifestaram e, agora, é a hora dos ministros votarem. Se considerados culpados, as penas máximas podem chegar a quase 90 anos.

Eles podem responder por duplo homicídio triplamente qualificado – cometido por motivo fútil, com método que representou perigo para outras pessoas e com o objetivo de encobrir outros crimes  – e pela tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora que estava no carro, mas sobreviveu ao atentado. Além disso, também podem ser condenados por organização criminosa.

Para homicídio qualificado, o Código Penal brasileiro prevê pena de doze a 30 anos. A pena máxima para tentativa de homicídio pode chegar a 20 anos. Já para organização criminosa, a pena é de 3 a 8 anos de reclusão. 

Considerando que se tratou de um caso duplo de homicídio qualificado, se receberem a punição máxima por cada crime somado, os irmãos Brazão podem ser condenados a até 88 anos de prisão – além de eventuais multas. 

Além dos irmãos Brazão, também são julgados nesta quarta-feira e podem responder por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio:

  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro que teria participado dos preparativos da execução do crime e atrapalhado as investigações; 
  • e Ronald Alves de Paula, major da Polícia Militar acusado de monitorar a rotina da vereadora e repassar as informações para os demais envolvidos.

O quinto réu é o ex-policial militar Robson Calixto, que era assessor de Domingos, apontado como o responsável por intermediar a entrega da arma. Ele, conhecido como “Peixe”, é acusado e responde pelo crime de organização criminosa ao lado dos irmãos Brazão.

As defesas dos cinco negam os crimes, questionam a história por trás das motivações, apontam falta de provas concretas e inconsistências da delação premiada.

‘Espero que o Supremo faça uma condenação exemplar’, diz viúva de Marielle Franco sobre julgamento:

Por que Marielle Franco foi morta?

A vereadora Marielle Franco e o motorista dela, Anderson Gomes, foram mortos a tiros em uma noite de quarta-feira, em 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro. Marielle tinha saído de uma reunião com mulheres negras na Lapa e voltava de carro para a sua casa, no bairro da Tijuca, na zona norte da cidade. Além dela e do motorista, também estava no veículo a assessora parlamentar da vereadora, Fernanda Chaves.

Foi próximo da Praça da Bandeira, na Rua Joaquim Palhares, que um Chevrolet Cobalt prata emparelhou  com o veículo de Marielle. Neste momento, o veículo foi alvejado. A vereadora foi atingida por três tiros na cabeça e um no pescoço, enquanto Anderson Gomes foi baleado três vezes nas costas. Os dois morreram no local. A assessora de Marielle foi ferida por estilhaços.

O inquérito da Polícia Federal foi instaurado em 21 de julho de 2023, cinco anos após o crime que tirou a vida de Marielle Franco e de Anderson Gomes. Já a conclusão veio em março de 2024, apontando os envolvidos e as motivações do crime: a atuação política de Marielle, que contrariava os interesses dos irmãos. 

Na ocasião, os irmãos Brazão foram apontados como os mandantes do crime pelas investigações e foram presos preventivamente. O mesmo ocorreu com Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro que assumiu o posto de chefia um dia antes do crime.

Foto: Montagem com imagens de reprodução/X/Agência Brasil

A Polícia Federal entendeu que o planejamento da execução teria começado no segundo semestre de 2017, após uma "descontrolada reação" de Chiquinho Brazão devido à participação de Marielle na votação do Projeto de Lei Complementar 174/2016. A proposta, de autoria de Chiquinho quando ainda era vereador, dispunha sobre a regulamentação fundiária de loteamentos e grupamentos existentes nos bairros de Vargem Grande, Vargem Pequena e Itanhangá, assim como nos bairros da XVI RA – Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

"No mesmo sentido, apontam diversos indícios do envolvimento dos BRAZÃO, em especial de DOMINGOS, com atividades criminosas, incluindo-se nesse diapasão as relacionadas com milícias e ‘grilagem’ de terras, e, por fim, ficou delineada a divergência no campo político sobre questões de regularização fundiária e defesa do direito à moradia", complementou Alexandre de Moraes, relator do caso, em sua decisão pelas prisões preventivas na época, a partir das investigações.

No relatório final do inquérito, que possui 479 páginas, é descrito que a presença de Marielle junto a comunidades em Jacarepaguá era o que mais atrapalhava os interesses dos irmãos. Isso porque na região, que em sua maioria é dominada por milícias, se concentrava uma parcela relevante da base eleitoral da família Brazão.

Ao passo que os irmãos Brazão idealizaram o crime, a execução teria sido "meticulosamente planejada" por Rivaldo. Rivaldo Barbosa era chefe da Delegacia de Homicídios até que, uma semana antes do crime, foi promovido para ocupar a chefia da Polícia Civil do Rio. Ele assumiu o posto um dia antes do assassinato de Marielle. 

De acordo com a Polícia Federal, 12 horas após a consumação dos homicídios, Rivaldo nomeou o delegado Giniton Lages, pessoa de sua confiança, para o cargo de Delegado Titular da Delegacia de Homicídios da Capital -- o responsável pela apuração do crime. Isso operacionalizou a "garantia da impunidade dos autores do delito", segundo concluiu a PF. Seu envolvimento na trama do do assassinato chocou familiares de Marielle e outras pessoas próximas da vereadora, pois ele prestou apoio a eles após o assassinato.

O atirador, Ronnie Lessa, e o homem que dirigiu o veículo no dia do crime, Élcio de Queiroz, estavam presos desde 2019, um ano após o crime, como suspeitos de envolvimento. Em março de 2024, Lessa fez um acordo de delação premiada, o que levou as investigações até os mandantes do crime. Em outubro de 2024 eles, que confessaram os crimes, foram condenados: Lessa pegou pena de 78 anos de prisão, 9 meses de reclusão e 30 dias de multa; e Élcio de Queiroz recebeu sentença de 59 anos de prisão, 8 meses de reclusão e 10 dias de multa.

Familiares de Marielle prestam homenagem após condenação de assassinos: 'Essa dor não tem nome, mas tem luta':
Fonte: Portal Terra
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