Galípolo e Renan Calheiros batem boca sobre Caso Master
Presidente do Banco Central negou suposta afirmação de que operação entre Banco Master e BRB era correta
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e o senador Renan Calheiros protagonizaram uma discussão acalorada sobre a atuação do órgão regulador durante o processo de análise da possível venda do Banco Master para o Banco Regional de Brasília (BRB), operação que acabou vetada.
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Calheiros, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), cuja sessão contou com a presença de Galípolo para prestação de contas, confrontou o presidente da autoridade monetária sobre uma suposta afirmação feita antes do veto, de que a operação entre BRB e Master estaria correta.
“Quando o senhor esteve aqui pela primeira vez nesta comissão, eu lhe perguntei sobre a compra do Master pelo BRB, e o senhor rapidamente falou que a operação estava correta”, disse Calheiros.
Galípolo o interrompeu imediatamente, negando a afirmação: “O BC jamais diria que a operação é correta, porque o BC não comenta sobre instituições particulares. O BC não pode fazer isso.”
O presidente da autoridade monetária continuou: “Hoje, só se a pessoa não tiver TV a cabo ou acesso à internet para achar que o BC trabalhou para vender (o Master) para o BRB.”
Calheiros respondeu cobrando uma postura mais pública do Banco Central diante de um outro caso: um projeto de lei que possibilitava a exoneração de diretores do BC.
“Na construção que pretendemos para a independência do Banco Central, uma reação pública sua naquele momento seria pedagógica, para delimitarmos essa independência”, afirmou o senador.
Galípolo rebateu dizendo que, no dia seguinte, o Banco Central “teve a coragem” de rejeitar o projeto. “O BC não tem de gravar televisão, ir ao Instagram ou ao TikTok fazendo isso (se pronunciando). O BC não é palanque. O BC toma a decisão correta independentemente de quem está jogando pedra ou fazendo barulho.”
Neste momento, a discussão se intensificou, com interrupções mútuas. Calheiros questionou: “O senhor acha que o Banco Central não tem de reagir à pressão?”
Galípolo respondeu de forma enfática: “Exato. O BC não tem de reagir à pressão.”
O Banco Central tem como objetivo fundamental assegurar a estabilidade de preços, além de zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego. A instituição também atua na regulação e fiscalização do sistema financeiro.
Por ser uma autarquia federal com autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira, o Banco Central geralmente evita emitir posicionamentos públicos vinculados à visão pessoal de seus dirigentes ou sobre casos específicos envolvendo instituições reguladas.
Calheiros insistiu: “Como o Banco Central vai ser independente se não reagir a isso?”
Galípolo reforçou sua posição: “O Banco Central tem de não reagir à pressão. Eu não posso fazer palanque.”
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