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Política

Famílias recebem certidões de óbito corrigidas de 63 vítimas da ditadura militar

Documentos agora reconhecem mortes violentas provocadas pelo Estado brasileiro entre 1964 e 1985

1 set 2025 - 16h34
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As famílias de 63 vítimas da ditadura militar brasileira receberam na última quinta-feira, 28, certidões de óbito retificadas que reconhecem a responsabilidade do Estado pelas mortes e desaparecimentos.

A cerimônia de entrega ocorreu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), promovida pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O colegiado foi interrompido em 2019, no início do governo de Jair Bolsonaro (PL), e retomado em 2024.

Foram entregues os documentos de pessoas nascidas, falecidas ou desaparecidas em Minas Gerais. Nas novas versões, consta: "Morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política por regime ditatorial instaurado em 1964".

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, que participou remotamente do evento, elencou que a repressão matou operários, trabalhadores, intelectuais, estudantes, ativistas sociais, artistas, jornalistas, ambientalistas e humanistas "que ousaram exercer o seu papel crítico e político na vida comunitária, acadêmica e trabalhista".

Já a ministra Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar (STM), definiu como "agonia indescritível" desconhecer o paradeiro de um familiar. "Participo deste ato histórico não como magistrada, mas como representante de um dos muito núcleos familiares que vivenciaram o desespero da ausência e da busca interminável por respostas", disse. A magistrada é cunhada de Paulo Costa Ribeiro Bastos, desaparecido em 1972, que teve sua certidão retificada entregue na solenidade.

O documento da estilista Zuzu Angel também estava na lista da cerimônia. A antiga versão de seu certificado e óbito apontava morte por fratura do crânio. Ela sofreu um acidente de carro na Estrada da Gávea, à saída do túnel "Dois Irmãos", que hoje leva seu nome.

De acordo com uma análise realizada pelo ministério, a maioria das vítimas reconhecidas da ditadura é formada por jovens estudantes ligados a organizações políticas e que viviam nas capitais.

O governo brasileiro reconhece 434 mortes e desaparecimentos políticos ocorridos durante o período. Segundo a presidente da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Gonzaga, o número real pode passar de 10 mil pessoas, entre indígenas e trabalhadores do campo.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou, em dezembro de 2024, que todas as certidões de vítimas da repressão política durante o regime militar passem a registrar a responsabilidade do Estado. O Ministério dos Direitos Humanos informou que mais de 400 certidões retificadas devem ser entregues até o final deste ano.

Foram entregues as certidões de:

  • Abelardo Rausch de Alcântara
  • Adriano Fonseca Filho
  • Alberto Aleixo
  • Aldo de Sá Brito Souza Neto
  • Alvino Ferreira Felipe
  • Antônio Carlos Bicalho Lana
  • Antônio dos Três Reis de Oliveira
  • Antônio Joaquim de Souza Machado
  • Antônio José dos Reis
  • Arnaldo Cardoso Rocha
  • Augusto Soares da Cunha
  • Áurea Eliza Pereira
  • Benedito Gonçalves
  • Carlos Alberto Soares de Freitas
  • Carlos Antunes da Silva
  • Carlos Schirmer
  • Ciro Flávio Salazar de Oliveira
  • David de Souza Meira
  • Devanir José de Carvalho
  • Eduardo Antônio da Fonseca
  • Eduardo Collen Leite
  • Feliciano Eugenio Neto
  • Flávio Ferreira da Silva
  • Geraldo Bernardo da Silva
  • Geraldo da Rocha Gualberto
  • Getulio de Oliveira Cabral
  • Gildo Macedo Lacerda
  • Guido Leão
  • Helber José Gomes Goulart
  • Hélcio Pereira Fortes
  • Idalísio Soares Aranha Filho
  • Itair José Veloso
  • Ivan Mota Dias
  • João Batista Franco Drumond
  • João Bosco Penido Burnier
  • João de Carvalho Barros
  • João Lucas Alves
  • Joel José de Carvalho
  • José Carlos Novaes da Mata Machado
  • José Isabel do Nascimento
  • José Júlio de Araújo
  • José Maximino de Andrade Netto
  • José Toledo de Oliveira
  • Juares Guimarães de Brito
  • Lucimar Brandão Guimarães
  • Milton Soares de Castro
  • Nativo da Natividade de Oliveira
  • Nelson José de Almeida
  • Nestor Vera
  • Orocilio Martins Gonçalves
  • Oswaldo Orlando da Costa
  • Otávio Soares Ferreira da Cunha
  • Pascoal de Souza Lima
  • Paulo Costa Ribeiro Bastos
  • Paulo Roberto Pereira Marques
  • Pedro Alexandrino Oliveira Filho
  • Raimundo Eduardo da Silva
  • Raimundo Gonçalves de Figueiredo
  • Rodolfo de Carvalho Troiano
  • Sebastião Tomé da Silva
  • Zuleika Angel Jones
  • Walkíria Afonso Costa
  • Walter de Souza Ribeiro
Estadão
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