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Política

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Extradição 'não acontecerá'; volto ao Brasil se Flávio Bolsonaro for eleito, diz Ramagem

6 jul 2026 - 16h22
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Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da trama golpista e foragido da Justiça brasileira, o deputado federal cassado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem afirmou neste domingo, 5, que uma eventual extradição sua para o Brasil "não vai acontecer".

Ramagem também acusou o Brasil de tentar removê-lo dos Estados Unidos, para onde fugiu, de forma irregular. "Como eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa, eles tentaram me deportar clandestinamente", afirmou à CNN Brasil no Estádio de Nova York/Nova Jersey, pouco antes da partida entre Brasil e Noruega.

O ex-diretor da Abin relacionou as possibilidades de seu retorno ao Brasil a uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. "Com essa luta, vamos virar 2027, Flávio Bolsonaro, e a gente volta pro Brasil", declarou. Ele disse que aguarda a análise de seu pedido de asilo político pelo governo dos EUA.

Ramagem foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado por sua participação na trama golpista liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele foi enquadrado nos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Segundo a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR), ele "preparou a narrativa difundida" por Bolsonaro sobre fraude nas urnas eletrônicas e comandou "espionagens ilegais baseadas em interesses particulares" do então presidente, "em flagrante desvio da estrutura brasileira de inteligência". O Ministério Público o aponta como o principal artífice da retórica difundida por Bolsonaro de ataque às urnas e às instituições.

Mesmo proibido de deixar o País, ele saiu do Brasil em setembro do ano passado e teria viajado até Boa Vista (RR) e seguido por terra até a fronteira com a Venezuela ou a Guiana antes de embarcar para os EUA.

Em abril deste ano, o ex-diretor da Abin foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA em Orlando após ser abordado em uma infração de trânsito, por estar em situação migratória irregular. Dois dias depois, foi colocado em liberdade sem pagamento de fiança.

O episódio resultou no afastamento do cargo do delegado Marcelo Ivo, que atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami. Os EUA determinaram sua saída do País alegando de que ele tentou "manipular" o sistema de imigração, "contornar pedidos formais de extradição" e "estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos". Já a PF informou que a prisão de Ramagem "decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA".

Além da condenação criminal no STF, a Mesa Diretora da Câmara determinou em dezembro do ano passado a perda do mandato de deputado federal de Ramagem pelas faltas acumuladas com sua fuga do Brasil. A mesma medida atingiu o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também reside nos EUA.

Estadão
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