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Política

Empresa de grupo suspeito de fraude com laranjas atrasa salários e governo assume pagamentos

A Defender tem contratos milionários com as principais pastas da Esplanada, mas atrasou pagamentos e Ministério de Minas e Energia e Anvisa precisaram intervir e pagar diretamente aos trabalhadores; empresa não se manifestou

2 abr 2024 - 17h39
(atualizado em 3/4/2024 às 10h37)
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BRASÍLIA - Uma das empresas ligadas ao grupo suspeito de operar com laranjas e de simular transações entre si para ganhar licitações em Brasília e no presídio federal de Mossoró (RN) tem atrasado salários de funcionários terceirizados que atuam na administração pública federal. Em alguns casos, o governo interveio e fez pagamentos diretamente aos trabalhadores para que eles não fossem prejudicados por problemas da empresa, que será alvo de processos administrativos em virtude dos atrasos.

Entre os ministérios que usam terceirizados da empresa estão o da Educação, Defesa e da Justiça. Os sindicatos que representam os trabalhadores da Defender estimam em cerca de 4 mil o total de empregados prejudicados com atrasos de salários ou do tíquete alimentação. O advogado que representa a Defender não se manifestou. A firma está em nome de um morador da periferia de Brasília que não soube dar informações acerca da companhia.

A Defender Conservação e Limpeza LTDA fechou contratos que somam R$ 338 milhões com o governo federal para ofertar mão de obra para serviços como de brigadista e auxiliar administrativo. A cifra diz respeito só a contratações feitas a partir de 2021, quando foi consolidada a colocação de um laranja no comando da R7 Facilities, a principal do grupo. A atuação conjunta de 11 empresas que simulam negócios, disputam licitações como se fossem concorrentes e são ligadas às mesmas pessoas foi revelada pelo Estadão.

Uma das linhas de investigação é a de que uma obra interna teria facilitado a fuga. O contrato foi assinado em abril de 2022, no Ministério da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (PL), e prorrogado um ano depois, em abril de 2023, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A atuação da empresa e do grupo levou o governo a abrir frentes diferentes de investigação. A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu uma apuração. Procurado, o órgão informou que não impôs qualquer sanção que resulte na restrição da empresa de realizar o pagamento de seus funcionários. O Ministério da Justiça também pediu para que a Polícia Federal e a Receita Federal entrem no caso.

O Ministério da Defesa informou ter contratos para uma mão de obra de 26 profissionais da Defender, entre auxiliares administrativos e brigadistas, e que não registrou atrasos de salários. As demais pastas não se manifestaram até a publicação.

Estadão
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