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Política

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Em que Estado é mais concorrida a disputa por uma vaga de deputado federal? Veja

Em média, há 15 candidatos para cada vaga de deputado federal no Brasil. DF lidera o ranking, com taxa que chega a 20,8

5 set 2026 - 13h55
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Resumo
Com média de 15 candidatos por vaga, a disputa para deputado federal em 2026 supera a concorrência geral da Fuvest, liderada pelo Distrito Federal (20,8) e com o Amapá na ponta oposta (11,1). No Senado, a média é de 5,8 por vaga, atraindo grande foco de Lula e Flávio Bolsonaro devido ao peso da Casa em sabatinas e eventuais processos de impeachment. Essa relevância política gerou articulações estratégicas e alianças pragmáticas com partidos rivais, como o PSD e a União Brasil, nos estados.

BRASÍLIA — Quem almeja uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições 2026 pode enfrentar uma concorrência maior que a de alguns cursos no último vestibular para a Universidade de São Paulo (USP). Levantamento do Estadão com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a média nacional é de 15 candidatos por vaga para deputado federal, ante 12,7 da instituição de ensino.

No topo da lista, o Distrito Federal alcança 20,8 candidatos por vaga - o equivalente ao enfrentado por estudantes que marcaram Medicina Veterinária no vestibular da USP. O Amapá fica na lanterna, com 11,1 nomes em busca de uma cadeira na Câmara, semelhante à concorrência nos cursos de Ciências Econômicas e Administração e também de Farmácia.

Plenário da Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados
Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Estadão

Segundo o TSE, há 7,7 mil candidatos para as 513 cadeiras em disputa na Câmara, divididas conforme o tamanho da população de cada estado e do Distrito Federal. Já o Senado renova 54 vagas, dois terços do total, sendo duas por unidade da federação; ao todo, 316 nomes buscam se eleger.

Os rankings se baseiam no comparativo com os dados da média geral da primeira fase da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) 2026, considerando a ampla concorrência e as cotas para escola pública e para pretos, pardos e indígenas. A seleção, com 111,4 mil inscritos para 8,7 mil vagas para a USP, é considerada uma das mais concorridas no País.

Já o Senado vive uma concorrência menor, com cerca de 5,8 candidatos por vaga - igual a se inscrever em Engenharia Física, Engenharia de Produção e Engenharia Química na USP. No Piauí, dez nomes tentam uma cadeira na Casa - como os estudantes que almejam Ciência dos Alimentos na instituição. Já Alagoas tem uma média (3,5) que coincide com as dos cursos de Química, Engenharia Ambiental e Oceanografia.

São Paulo tem 15,9 candidatos por vaga na Câmara dos Deputados. No Senado, oito. Os números ficam próximos às concorrências para Computação e para Biotecnologia, respectivamente, na USP.

Os partidos ou as coligações que obtiverem a maioria das vagas para o Senado devem sair na frente nas votações de projetos de lei e na escolha do próxi mo presidente da Casa. Por isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) focam no apoio a aliados para além da disputa ao Palácio do Planalto.

Lula lançou 16 candidatos ao Senado em 16 estados e no Distrito Federal, com foco em chapas mistas, e também apoiou partidos aliados em outras unidades da federação. Trata-se da construção de uma espécie de frente ampla. Flávio, por sua vez, só deixou Alagoas e Amapá de fora na composição das chapas, priorizando nomes do PL para reforçar bandeiras bolsonaristas.

O interesse pelo Senado se deve ao poder de abrir e julgar pedidos de impeachment contra o chefe do Executivo e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, senadores podem aprovar ou barrar nomes indicados para órgãos estratégicos, como Banco Central, tribunais superiores e agências reguladoras, em votação após sabatina.

As "traições" eleitorais

Alianças estaduais nem sempre refletem a coligação nacional nas eleições. Prova disso é que Lula e Flávio apoiam candidatos ao Senado do PSD de Ronaldo Caiado e do Novo de Romeu Zema, ambos presidenciáveis.

De um lado, o senador e ex-ministro da Agricultura e Pecuária de Lula, Carlos Fávaro (PSD-MT), o deputado federal Pedro Paulo (PSD) e o advogado Júlio César (PSD-PI) estão na coligação que fechou apoio com o PT. Do outro, o deputado federal cassado Deltan Dallagnol (Novo-PR) e os parlamentares Marcel van Hattem (Novo-RS) e Lucas Barreto (PSD-AP) devem subir no palanque de Flávio.

Além do PSD, o União Brasil também cometeu uma espécie de "dupla traição" ao se dividir entre o PT e o PL em pelo menos cinco estados. Lula tem Alinny Serrão no Amapá e Chicão no Pará, ao passo em que Flávio apoia Capitão Wagner no Ceará, Fernando Máximo em Rondônia e Carlos Gaguim no Tocantins.

Estadão
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