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Em discurso na ONU, Bolsonaro cita 'risco de socialismo' e defende cloroquina

21 set 2021 11h36
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O presidente Jair Bolsonaro jogou por água abaixo a tese de diplomatas de que faria um discurso mais sóbrio do que os anteriores na abertura da Assembleia Geral da ONU, sem, desta vez, apelar para sua base ideológica. Logo na abertura do discurso, o presidente voltou a insistir na retórico de que seu governo é melhor do que o retratado na imprensa e disse, como fez em 2019, que o Brasil esteve "à beira do socialismo".

Nos cerca de 13 minutos de pronunciamento, ainda atacou governadores e prefeitos por políticas de isolamento social na pandemia de covid-19, defendeu o chamado "tratamento precoce" contra covid-19 - em referência a medicamentos comprovadamente ineficazes contra covid, como hidroxicloroquina e ivermectina - e se colocou contrário a "passaportes de vacinação".

"Venho aqui mostrar o Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisão. O Brasil mudou e muito depois que assumimos o governo em janeiro de 2019", disse Bolsonaro. "O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição, valoriza a família e deve lealdade a seu povo. Isso é muito, se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo", afirmou.

Ao falar sobre a questão ambiental, Bolsonaro disse que o Brasil tem "grandes desafios" em razão da "dimensão continental" do País. Como esperado, ele voltou a repetir que o Brasil antecipou de 2060 para 2050 o compromisso de atingir a neutralidade climática, como fizera em abril.

Ele falou da redução nos níveis de desmatamento da Amazônia em agosto, também como esperado, e afirmou que isso foi uma consequência do aumento de recursos para fiscalização ambiental. Bolsonaro afirmou que o País irá "buscar consenso sobre as regras do mercado de crédito de carbono global" na COP-26.

"A pandemia pegou a todos de surpresa em 2020. Sempre defendi combater o vírus e o desemprego de forma simultânea e com a mesma responsabilidade. As medidas de isolamento e lockdown deixaram legado de inflação no mundo todo", afirmou Bolsonaro ao criticar medidas de isolamento e governadores e prefeitos do Brasil.

Ele se gabou do fato de quase 90% da população adulta do Brasil estar vacinada, mas disse ser contra um "passaporte da vacinação". "Apoiamos a vacinação. Contudo o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada a vacina", disse.

Bolsonaro defendeu tratamento precoce contra covid-19 e disse que ele mesmo usou - em referência a medicamentos comprovadamente ineficazes contra covid, como hidroxicloroquina e ivermectina. "Desde o início da pandemia apoiamos a autonomia do médico em busca do tratamento precoce. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial", disse. "Não entendemos porque muitos países se colocaram contra o tratamento inicial (precoce). A história e a ciência saberão responsabilizar a todos", afirmou Bolsonaro.

Desde sua eleição, Bolsonaro é visto pela comunidade internacional como um líder com aspirações antidemocráticas e que coloca em risco a Floresta Amazônica, os direitos de minorias, instituições democráticas e, desde o início da pandemia, a vida dos brasileiros. Em 2019, na sua primeira aparição na ONU, Bolsonaro fez uma fala recheada de referências religiosas, disse que o Brasil esteve "à beira do socialismo", atacou adversários políticos e países como Cuba e Venezuela e sugeriu que o presidente da França, Emmanuel Macron, tinha "espírito colonialista". Na época, o presidente era aconselhado pelo então chanceler Ernesto Araújo, que incentivava o discurso de desafio à ordem global e ao que, naquela ocasião, o ministro chamava de "globalismo".

Estadão
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