Eleições 2026: veja as propostas dos candidatos ao governo de São Paulo
Conheça os principais eixos e programas registrados pelos postulantes ao Palácio dos Bandeirantes
Os candidatos ao governo de São Paulo registraram propostas com visões contrastantes, embora omitam fontes de recursos. Tarcísio de Freitas busca a reeleição apostando em investimentos privados, concessões e monitoramento digital policial. Fernando Haddad foca em segurança com inteligência financeira contra o crime organizado e transição ecológica. Já as candidaturas de Vivian Mendes, Carlos Machado e Vera Lúcia defendem reestatizações, conselhos populares e redução de jornada.
Cinco planos de governo foram registrados na Justiça Eleitoral focados na gestão do Poder Executivo de São Paulo. O cenário eleitoral no território paulista reúne diferentes propostas para a administração pública, a economia e o acesso a serviços básicos.
Os programas apresentam as diretrizes de cada projeto político-partidário. Contudo, assim como os candidatos à Presidência, os postulantes ao Palácio dos Bandeirantes falham com frequência em demonstrar ao eleitor de onde virão os recursos para executar as propostas defendidas.
O plano do governador Tarcísio de Freitas, que tenta a reeleição, prioriza desburocratizar procedimentos e realizar obras em parceria com o setor privado. Já o programa de Fernando Haddad estabelece a segurança pública como prioridade. A plataforma do ex-ministro da Fazenda também fala em rever contratos de concessão.
Atração de investimentos privados, concessões, programas de reestatização e gestão popular são alguns pontos levantados pelos candidatos. Entre os principais eixos temáticos estão segurança pública, saúde, educação, infraestrutura e transportes.
Tarcísio de Freitas (Republicanos)
O plano de governo de Tarcísio de Freitas está organizado em 68 páginas e traz dez objetivos. O modelo busca dar continuidade a ações de planejamento, parcerias com o setor privado e desburocratização da máquina pública.
Na segurança pública, a meta é expandir o programa "Muralha Paulista" para a totalidade dos municípios com mais de 160 mil câmeras conectadas ao Centro de Inteligência e Inovação. A proposta prevê recuperar bens apreendidos do crime organizado, usados para investir nas forças policiais. Para o público feminino, o programa do Republicanos fala em criar um cadastro público de condenados por violência contra a mulher.
Para a saúde, o candidato fala em ampliar o atendimento de telemedicina e o histórico clínico digital, aliado a repasses da chamada tabela SUS paulista. Na educação, quer alcançar 90% de alfabetização e reforçar o aprendizado em exatas.
Na infraestrutura, o plano apresenta projetos com investimentos que passam de R$ 500 bilhões em rodovias, ferrovias e saneamento. O pilar de governança prevê equilíbrio fiscal, eficiência de gastos e atração de recursos privados.
Fernando Haddad (PT)
O ex-ministro da Fazenda estabelece a segurança pública como a prioridade de um eventual governo. A candidatura propõe aumentar os índices de resolução de crimes e combater as estruturas financeiras das organizações criminosas.
Haddad fala na criação de uma agência paulista para combater o crime organizado, investigar movimentações financeiras ilícitas no chamado "no andar de cima" e prevê parceria com órgãos federais. Nas ruas, a proposta inclui a integração entre polícias e Guardas Civis Municipais (GCM), uso contínuo de câmeras corporais e acionamento rápido do 190 com inteligência artificial.
Na educação, o plano de governo petista foca em alfabetização e cita pactos com as prefeituras no Estado. A proposta fala em rever a plataformização do ensino e expandir a formação profissional conectada às escolas técnicas (Etces) e faculdades técnicas (Fatecs).
Na economia, Haddad pretende estimular a criação de empregos com remuneração melhor, fornecer crédito a pequenos negócios e diminuir a burocracia. O plano ainda aposta no uso da inteligência artificial na economia real e na liderança paulista na transição ecológica e nos combustíveis renováveis.
Vivian Mendes (UP)
O projeto político da UP fala na construção de um governo estadual popular e voltado ao socialismo. Vivian Mendes defende colocar o orçamento e o patrimônio estadual a serviço dos trabalhadores.
A reestatização imediata das empresas Sabesp, Enel e EMAE fazem parte do programa, além da retomada do controle público das linhas privatizadas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do metrô. No campo do trabalho, defende o fim da escala 6x1 sem redução de salários e o aumento de 100% no salário mínimo.
Na segurança, o plano prioriza o combate à violência contra mulheres e crianças. Também cita o fim da violência de Estado e a interrupção do extermínio da juventude negra periférica. As propostas abrangem ainda uma reforma agrária no Estado, a desapropriação de latifúndios improdutivos e programas de habitação popular.
Carlos Machado (PCB)
O plano de governo de Carlos Machado propõe a criação de conselhos populares deliberativos para gerir o Estado. A candidatura também fala em reorganizar o orçamento estadual a partir da revisão de renúncias fiscais concedidas a grandes empresas.
Entre as propostas econômicas está a defesa da reindustrialização em São Paulo, baseada em empresas administradas por trabalhadores, pelo Estado e pelas universidades. O programa também fixa a reestatização da Sabesp, da Enel e de linhas da CPTM e do Metrô. Para a segurança, Carlos Machado fala em desmilitarizar a segurança pública e extinguir as escolas cívico-militares.
Tarifa zero nos transportes e investimento na expansão do SUS paulista são outros pontos apresentados pelo projeto político do PCB.
Vera Lúcia (PSTU)
A proposta do PSTU defende a taxação de super-ricos e o exercício do poder político por meio de conselhos populares, organizados nos locais de trabalho, estudo e moradia dos cidadãos.
Vera Lúcia apresenta também apresenta um plano de reestatização do Metrô, da CPTM, da Sabesp e da Enel, sem indenização aos antigos proprietários privados. O plano também fala em acabar com parcerias público-privada e terceirizações no serviço público.
O plano pede o fim imediato da escala 6x1 e a implementação de uma jornada semanal de 36 horas, sem redução dos salários. O PSTU defende tarifa zero para os transportes, a suspensão do pagamento da dívida pública estadual e o combate ao feminicídio.
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