Direita x Esquerda: 7 de Setembro é marcado por manifestações em todo o Brasil
A data, que acontece neste domingo, não será marcada apenas por desfiles militares, escolares e comemorações tradicionais
Marcado desde o dia 7 de setembro de 1822, quando Dom Pedro I declarou a separação do Brasil em relação a Portugal, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, o Dia da Independência é voltado à exaltação da pátria brasileira e à valorização dos brasileiros sobre sua nação.
No entanto, diante do momento atual em que o país se encontra, dividido entre dois lados opostos que protagonizam embates constantes, o 7 de Setembro tem se tornado símbolo de muitas outras coisas.
A data, que acontece neste domingo, não será marcada apenas por desfiles militares, escolares e comemorações tradicionais, mas também por atos políticos.
De um lado, a direita prepara novas mobilizações em todo o país, com o objetivo de defender o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) por articular um golpe de Estado.
Também são pautas dos protestos o pedido de anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e a saída do presidente Lula do poder.
Do outro lado, a esquerda também organiza manifestações para este domingo, buscando fortalecer a imagem do presidente Lula e de seus aliados.
Segundo líderes do campo progressista, a estratégia busca desassociar datas que representam a democracia brasileira da direita e da extrema-direita, que têm se apropriado, nos últimos anos, das cores verde e amarela.
Manifestações nas capitais
Diversas capitais já se preparam para as manifestações marcadas para este domingo (7). Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Florianópolis, entre outras, são pontos estratégicos que devem reunir grande número de manifestantes.
Nas capitais do Sudeste, como Rio e Brasília, a direita adotou uma nova estratégia: concentrar os atos pela manhã, para que, na parte da tarde, lideranças como Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Bia Kicis, entre outros, consigam se deslocar a tempo de participar do evento em São Paulo, local onde ocorre a maior concentração de apoiadores.
A estratégia visa compensar a ausência do ex-presidente Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto e está proibido de se manifestar por meio de suas redes sociais ou de aliados.
Já a esquerda busca fortalecer a imagem fragilizada do presidente Lula diante das manifestações patrióticas.
Como forma de driblar o discurso recorrente de patriotismo da direita, a esquerda deve focar na defesa da soberania nacional, inclusive com o uso da bandeira verde e amarela.
Os atos também deverão servir como palco de defesa do STF, especialmente do ministro Alexandre de Moraes, bem como de críticas às tarifas impostas pelo governo Trump e ao pedido de anistia, que tem ganhado força no Congresso Nacional.
Atos no Recife
Na capital pernambucana, a concentração dos manifestantes da direita será às 14h, em frente à Padaria Boa Viagem, na Avenida Boa Viagem, local tradicionalmente utilizado em manifestações anteriores.
Políticos como os deputados estaduais Coronel Alberto Feitosa (PL) e Pastor Júnio Tércio (PP) já confirmaram presença, assim como os deputados federais Clarissa Tércio (PP-PE) e Pastor Eurico (PL-PE), nomes habituais em atos anteriores. A presença de outras figuras também é aguardada.
Já a concentração da esquerda, intitulada 31º Grito dos Excluídos e das Excluídas, ato organizado por movimentos sociais e entidades ligadas ao campo progressista, está marcada para as 9h, em frente ao Parque Treze de Maio, no bairro da Boa Vista, área central da capital pernambucana.
Com o lema "Cuidar da casa comum e da democracia é luta de todo dia!", a manifestação, segundo os organizadores, tem como objetivo defender temas como soberania nacional, democracia, justiça social, meio ambiente e direito à vida.