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Política

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Desembargador que ganhou R$ 70 mil publica saldo de R$ 96 e critica 'tom malicioso à Justiça'

25 ago 2026 - 13h52
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Resumo
O desembargador Márcio Roberto de Albuquerque, do TJ-AL, gerou forte repercussão negativa nas redes sociais ao publicar um extrato com saldo de R$ 96,10 na véspera de receber R$ 70 mil líquidos. Ao defender seus vencimentos acima do teto constitucional como fruto de honra e trabalho, o magistrado criticou a cobertura midiática sobre os salários da Justiça. A postagem atraiu centenas de comentários irônicos de internautas que contrastaram a queixa com a realidade financeira da maioria da população.

Um dia antes de receber um salário líquido de R$ 70 mil, o desembargador Márcio Roberto de Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Alagoas, publicou no último dia 19 nas redes sociais um extrato de sua conta com saldo de R$ 96,10. O magistrado escreveu na postagem que a remuneração "é fruto de muito trabalho, suor e, acima de tudo, honra".

O Estadão pediu manifestação do tribunal alagoano e do desembargador sobre a postagem. O espaço está aberto.

O extrato divulgado pelo desembargador, referente à conta-salário mantida no Banco de Brasília (BRB), mostra saldo negativo de R$ 161,83 na conta corrente. Em outra aplicação vinculada à conta, descrita no documento como poupança, CDB automático ou fundo automático, havia R$ 257,93. A soma resulta em saldo positivo de R$ 96,10.

"O resultado? Cheguei ao fim do mês 'de boa', ou seja, com um saldo positivo de R$ 96,10 (noventa e seis reais e dez centavos), com as graças de Deus", escreveu o magistrado.

Os dados disponíveis no Portal da Transparência do tribunal alagoano mostram que o desembargador recebeu R$ 70.082,99 líquidos em agosto. O valor foi o maior pagamento mensal registrado para ele em 2026 até o momento e supera em R$ 23.716,80 o teto constitucional de R$ 46.366,19.

De janeiro a julho, Albuquerque recebeu, em média, R$ 65.311,38 líquidos por mês.

"A propósito, sobre os chamados e decantados 'penduricalhos', sequer tenho conhecimento de onde estavam eles. Simplesmente não os recebi e, por isso mesmo, não tenho saudade do que nunca fez parte da minha realidade financeira", disse o desembargador.

"Amanhã, dia 20/08, como é público, notório e frequentemente divulgado com alarde pela mídia - quase sempre com aquele tom crítico, malicioso e inconsistente que busca generalizar e desmerecer a aguerrida Justiça brasileira e seus incansáveis magistrados -, irei receber o meu merecido salário, pois sou desembargador do TJAL. Um ganho que é fruto de muito trabalho, suor e, acima de tudo, honra", anotou.

Os 172 comentários publicados no post do desembargador até a manhã desta terça-feira, 25, eram majoritariamente críticos ao magistrado. Alguns internautas ironizaram o saldo apresentado. "Força, guerreiro!", escreveu um deles. Outro comparou a situação à própria realidade financeira: "Dr. Márcio, meu nobre, o senhor ainda está com saldo positivo. E o meu, que eu recebo e já fica negativo".

Houve também críticas ao argumento de que a remuneração seria fruto de "muito trabalho". "Duvido que trabalhe mais do que um professor!", escreveu um internauta. Outro sugeriu que o desembargador deixasse a magistratura: "Tá achando ruim, é só pedir conta e trabalhar na iniciativa privada".

Em tom de ironia, um usuário ofereceu ajuda financeira ao magistrado: "Se precisar, doutor, podemos fazer uma rifa pra levantar um dinheiro pro senhor. Cesta básica também podemos dar".

Outro questionou os custos que um profissional da iniciativa privada precisa arcar: "E Vossa Excelência sequer suporta aluguel do escritório, insumos, conta de telefone, OAB, AASP, luz, água, faxineira, papelaria, toner, equipamentos de informática, seguros, secretaria, estagiário, assistentes, contador, TI...".

"Que absurdo essa mixaria de R$ 70 mil... mal dá pra financiar um iate com isso aí... Lamentável!", ironizou outro internauta.

Estadão
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