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Política

Davi Alcolumbre decide que não irá prorrogar CPI do Crime Organizado, diz relator da comissão

Segundo Alessandro Vieira, decisão se deve a temor de presidente do Senado sobre possíveis desgastes que o colegiado poderia gerar a políticos em ano eleitoral

7 abr 2026 - 18h12
(atualizado às 19h31)
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BRASÍLIA — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não prorrogar a CPI do Crime Organizado, que, com isso, será encerrada na próxima terça-feira, 14. Segundo o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), a decisão se deve aos possíveis desgastes que o colegiado poderia gerar a políticos em ano eleitoral.

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que decidiu não prorrogar a CPI do Crime Organizado
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que decidiu não prorrogar a CPI do Crime Organizado
Foto: Estadão

Ele havia protocolado um requerimento com pedido de prorrogação dos trabalhos, que foi negado por Alcolumbre.

"Ele justifica dizendo que se trata de um ano eleitoral e que, na visão dele, não é bom ter uma CPI tramitando. É óbvio que a gente não concorda com esse posicionamento. Eu entendo que o presidente Davi Alcolumbre presta um grande desserviço para a nação", disse Vieira em entrevista coletiva no Senado.

No entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), cabe ao presidente do Senado a decisão de prorrogar CPIs ou encerrá-las no prazo inicialmente estipulado. "Isso contradiz o que diz o Regimento Interno do Senado e o que diz a Constituição, criticou o parlamentar.

A comissão estava em funcionamento desde novembro do ano passado, quando foi instalada com o objetivo de investigar facções como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. O colegiado criado após operação policial que deixou mais de cem mortos no Rio de Janeiro, mas mudou o o foco dos trabalhos para apurar o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

No âmbito da CPI, foram quebrados os sigilos da instituição financeira e da Reag DTVM, gestora que administrava parte dos ativos de Vorcaro.

"Eu tenho plena ciência de que é muito difícil investigar rico e poderoso no Brasil. A lei no Brasil é feita para investigar pobre, para punir pobre. E a gente não faz nada, ou quase nada, para combater o crime onde ele verdadeiramente é mais perigoso, que é no andar de cima", criticou Vieira.

Ao fim da CPI, um relatório será elaborado com a síntese dos trabalhos. Em entrevista exclusiva ao Estadão, Vieira antecipou pontos que pretende abordar no documento, como a infiltração do crime organizado nos Poderes e a falha de órgãos de fiscalização na supervisão do sistema financeiro.

"Vai ser muito claro e o relatório seguramente vai apontar falhas e omissões por parte da CVM e do Banco Central, infiltração via corrupção dos Poderes da República e um duto de lavagem de dinheiro extraordinariamente relevante", afirmou o parlamentar na ocasião.

Nesta terça-feira, 7, ele criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por, segundo ele, ameaçar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por meio de decisão liminar em que restringiu a capacidade do órgão de compartilhar relatórios com investigações.

"O Coaf está constrangido, o Coaf está ameaçado pelo Ministro Alexandre de Moraes para que não entregue relatórios de inteligência financeira sob pena de cometer uma série de crimes e ilícitos. Por quê? O que tem de tão grave que tem que esconder? São os voos nos aviões de Vorcaro? Não dá mais para esconder. A CPI já mostrou."

Estadão
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