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CPI: Amilton diz que mensagem para Dominguetti foi "bravata"

Reverendo negou que tenha proximidade com qualquer pessoa do Palácio do Planalto; apesar de simpatizar com o governo

3 ago 2021 14h44
| atualizado às 15h51
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O reverendo Amilton Gomes de Paula na CPI da Covid
O reverendo Amilton Gomes de Paula na CPI da Covid
Foto: Pedro França / Agência Senado

O reverendo Amilton Gomes de Paula, citado como um intermediador entre o governo federal e empresas que ofereceram vacinas sem comprovar a entrega dos imunizantes, apresentou na sessão da CPI da Covid nesta terça-feira, 3, uma versão diferente sobre diálogos dele próprio com o policial militar Luiz Paulo Dominghetti Pereira.

Dominghetti se apresentou como representante da empresa Davati Medical Supply, tentou vender vacinas contra covid, e foi levado ao Ministério da Saúde pelo pastor.

Em depoimento na CPI, o reverendo afirmou que usou uma "bravata" ao demonstrar prestígio com o governo federal nas conversas com o policial. Hoje, Amilton negou proximidade com o presidente Jair Bolsonaro, ou com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Em uma mensagem do reverendo a Dominghetti, enquanto eram negociadas as vacinas ao governo, Amilton teria dito ao vendedor que a primeira-dama teria "entrado no circuito". Hoje, o pastor afirmou não lembrar o contexto da mensagem, mas declarou que a fala era uma "bravata", para "mostrar algo que não tinha". A mesma justificativa foi dada por ele a uma mensagem a Dominghetti onde dizia que tinha falado "com quem manda".

"Não conheço ninguém do governo federal", diz reverendo

Durante a primeira bateria de perguntas do relator Renan Calheiros (MDB-AL), o reverendo negou que tenha proximidade com qualquer pessoa do Palácio do Planalto. Apesar de simpatizar com o governo, dizendo ter participado da campanha do chefe do Executivo.

A afirmação, contudo, não foi bem aceita pelos senadores. Além de registros fotográficos com parlamentares governistas, membros da CPI questionam a facilidade com que o reverendo chegou ao Ministério da Saúde para tratar sobre a venda de vacinas. Em sua defesa, o pastor se propôs a disponibilizar seus emails, além seu registro telefônico à CPI, negando que o colegiado encontraria contatos seus com membros do governo.

Afirmando ainda não ter proximidade prévia com o governo, Amilton declarou não se lembrar de registro fotográfico com alguém próximo do chefe do Executivo. Mas não descartou a existência de registros. "Eu devo ter fotos, em eventos, coquetel."

A declaração, contudo, foi contestada pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que apontou que, em outubro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro deveria ter comparecido à inauguração da Embaixada Humanitária pela Paz, que pertence ao reverendo, demonstrando que já havia uma proximidade entre o depoente e o chefe do Executivo. Na ocasião, Bolsonaro não pode comparecer ao evento organizado por Amilton pois havia partido para uma viagem ao exterior, conforme informa a Agência Pública.

Amilton admitiu ter participado da campanha de Bolsonaro à presidência, mas negou encontro com o chefe do Executivo. O presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), também não comprou a versão de pastor sobre sua falta de proximidade com o governo, classificando sua resposta como "inacreditável". "Me desculpe reverendo, mas não dá para acreditar nisso. é muito furada essa história."

Durante o depoimento o reverendo relatou três reuniões no Ministério da Saúde: em 22 de fevereiro, 2 de março e 12 de março. Na última, foi recebido pelo ex-secretário-executivo da pasta, Elcio Franco. A justificativa do reverendo para tentar facilitar a compra de vacinas com o Ministério da Saúde foi a tentativa de fornecer vacinas para o Brasil, uma "iniciativa humanitária".

Após as inquisições do senador Humberto Costa (PT-PE) , Omar Aziz interrompeu a sessão por trinta minutos, e sugeriu que o reverendo "repensasse" seu depoimento. "O senhor não é vítima aqui, o senhor participou de um grande enredo. Sua missão é muito maior do que proteger pessoas que brincaram com a vida dos outros", disse, após criticar o pastor por afirmar que utilizou uma "bravata" para avançar as negociações de vacinas.

Estadão
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