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Política

Caso Master e fraudes no INSS expõem falhas estruturais no Brasil, diz Transparência Internacional

Relatório aponta infiltração do crime organizado, avanço das emendas parlamentares e estagnação do País no ranking global de corrupção; Master preferiu não comentar a menção no documento. CGU contestou o uso do IPC como medida direta da corrupção. INSS não retornou ao contato

10 fev 2026 - 09h57
(atualizado às 11h56)
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As investigações sobre o Banco Master e o esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ilustram as fragilidades do sistema brasileiro de controle da corrupção, segundo a ONG Transparência Internacional. Os dois episódios foram destacados no relatório Retrospectiva 2025, divulgado nesta terça-feira, 10, como exemplos de infiltração do crime organizado no Estado e de falhas de governança em setores estratégicos da economia formal.

A publicação acompanha o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), que manteve o Brasil em 2025 na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados. O País obteve 35 pontos em uma escala de 0 a 100, repetindo a segunda pior nota de sua série histórica.

O relatório cita a Operação Sem Desconto, que revelou o maior esquema previdenciário do país, com prejuízo a milhares de aposentados, e a Operação Compliance Zero, que investigou a maior fraude bancária já registrada no Brasil. No caso do Banco Master, a ONG menciona contratos de alto valor entre a instituição e escritórios de advocacia ligados a autoridades públicas, além de suspeitas de conflito de interesses e interferências em investigações.

Fachada do Banco Master na região Vila Olimpia
Fachada do Banco Master na região Vila Olimpia
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Para a Transparência Internacional, os casos demonstram como "a corrupção corrói as instituições e permite que redes criminosas aliciem o Estado e condicionem seu funcionamento a interesses ilícitos". A entidade também aponta falhas na resposta do governo federal ao escândalo do INSS e alerta para o crescimento das emendas parlamentares, que ultrapassaram R$ 60 bilhões no orçamento de 2026, consolidando o fenômeno da "captura orçamentária".

Procurados, o Banco Master preferiu não comentar a menção no documento. Já o INSS não retornou ao contato.

Apesar do cenário negativo, o relatório reconhece avanços como a Operação Carbono Oculto, conduzida pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, que priorizou o uso de inteligência financeira para rastrear fluxos ilícitos de capital. A rejeição da chamada "PEC da Blindagem" no Senado é citada como exemplo de mobilização social contra retrocessos na responsabilização de autoridades.

No documento, a Transparência Internacional apresentou um conjunto de recomendações aos três Poderes. Ao Executivo, sugere maior transparência orçamentária e fortalecimento das estruturas de investigação. Ao Judiciário, propõe um código de conduta no Supremo Tribunal Federal e a redistribuição do inquérito do Banco Master. Ao Legislativo, defende a regulamentação do lobby, o aprimoramento do Estatuto da Advocacia e a criação de uma comissão parlamentar para investigar as irregularidades no sistema bancário.

Em nota, a Controladoria-Geral da União (CGU) contestou o uso do IPC como medida direta da corrupção. O órgão afirmou que o índice reflete apenas percepções de grupos específicos e pode variar sem relação com a atuação do Estado. Segundo a CGU, o caso do INSS exemplifica esse efeito: o esquema foi identificado e interrompido pelo governo, que iniciou o ressarcimento de aposentados e adotou medidas para corrigir falhas regulatórias.

A Controladoria ressaltou ainda que a ampliação de investigações e da transparência não significa aumento da corrupção, mas maior capacidade do Estado de enfrentá-la de forma efetiva.

Estadão
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