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Política

Em meio a fogo trocado entre aliados de Eduardo e Nikolas, Flávio Bolsonaro pede união da direita

Senador vem pedindo que os bolsonaristas parassem de se atacar, sob o risco de sua candidatura chegar à campanha eleitoral no centro de um campo de batalha virtual

5 abr 2026 - 16h55
(atualizado às 17h06)
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BRASÍLIA — Em meio ao fogo cruzado entre dois grupos do seio do bolsonarismo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vem pedindo pacificação e união dos aliados em torno de sua pré-candidatura à Presidência da República.

Nos últimos dias, os entornos do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) vêm trocando críticas e cutucadas. O clima de desconfiança entre os dois se acirra há meses.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, num evento do Lide
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, num evento do Lide
Foto: Pedro Kirilos / Estadão / Estadão

Como o Estadão mostrou, Flávio já vinha pedindo que os bolsonaristas parassem de se atacar. Em março, numa sala virtual com a militância, ele ouviu cobranças e pediu união em torno de seu projeto eleitoral.

A falta de alinhamento pode fazer com que sua candidatura chegue à campanha eleitoral no centro de um campo de batalha virtual entre as duas principais alas que hoje orbitam Eduardo e Nikolas.

A deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) é um dos pivôs do novo capítulo da crise. Ela foi tornada desafeta da família Bolsonaro recentemente por contrariar a transferência de domicílio do ex-vereador Carlos Bolsonaro do Rio para o seu Estado, em busca da eleição ao Senado.

O movimento de Carlos causou um racha na direita catarinense. Uma ala, liderada por Campagnolo, defendia eleger lideranças locais para um cargo tão importante e não concordava com o modo com que a articulação fora feita.

Na quinta-feira, 2, o perfil @MafinhaBarba criticou um vídeo publicado nos Stories do Instagram pelo pré-candidato a deputado federal Paulo Melo (PL-PR), em que Campagnolo — ambos aliados de Nikolas — diz ser "a única mulher de direita em Santa Catarina". Melo depois editou o conteúdo publicado no feed para retirar esse trecho.

Defensores de Campagnolo alegam que Melo gravou o vídeo com a deputada de improviso, sem roteiro, e que ela quis dizer ser a única deputada mais conservadora na Assembleia Legislativa estadual. Há outras duas parlamentares na Casa, ambas progressistas.

A declaração causou incômodo no bolsonarismo, em especial por haver outras lideranças femininas de peso no Estado, como as deputadas federais Júlia Zanatta (PL), Caroline de Toni, esta pré-candidata a senadora pelo PL, ao lado de Carlos, e a Daniela Reinehr (PL), ex-vice-governadora.

O comunicador Kim Paim (1,7 milhão de seguidores no X e próximo à família Bolsonaro) chamou a declaração de "ataque baixo demais" e instou as deputadas federais a se manifestarem. Ele vem criticando Campagnolo há meses pelo que ele julga ser uma falta de lealdade com Bolsonaro.

O perfil de paródia @ItaloMarsinho (149,1 mil seguidores) respondeu chamando Kim Paim de "rato da Austrália", em referência ao País em que ele mora, e dizendo que "a deputada em nenhum momento diz as palavras que está no print postado pelo Mafinha". O tuíte atacando Kim foi compartilhado por Nikolas —ato mais tarde desfeito.

Kim Paim publicou um vídeo um dia depois sobre o trecho da fala de Campagnolo, retirado do conteúdo original, e mirou artilharia sobre o deputado mineiro.

"Olha a coisa que o Nikolas acha bonito compartilhar. É o nível de manipulação a que o Nikolas está disposto a chegar para chamar as pessoas de rato", afirmou Kim Paim.

No mesmo dia, o deputado mineiro compartilhou um tuíte da conta @NewsLiberdade (447,4 mil seguidores), conhecida por promover salas virtuais de debate em áudio, criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Eduardo Bolsonaro se incomodou, uma vez que o administrador da conta, Keven Oliveira, dias atrás declarou não ter a intenção de votar em Flávio no primeiro turno das eleições deste ano. Ele também criticou o CPAC, evento nos Estados Unidos em que o senador havia discursado na semana passada, numa articulação do irmão para levá-lo ao coração do trumpismo.

"Denunciei que o Spaces Liberdade não votará em @FlavioBolsonaro - ao menos no primeiro turno. Adivinhem quem prontamente compartilhou o perfil no mesmíssimo dia? Esta é só mais uma das várias coincidências do pessoal que pede união da direita", escreveu Eduardo, numa indireta a Nikolas.

Silvio Grimaldo, ex-editor do site olavista Brasil Sem Medo e aliado do deputado mineiro, saiu em sua defesa. Referindo-se à crítica de Eduardo, Grimaldo afirmou que a publicação compartilhada por Nikolas era justamente uma crítica à esquerda — o que, portanto, na visão dele, não teria problema.

Nikolas respondeu ao socorro de Grimaldo com um "kkk", risada na internet muitas vezes interpretada como ironia. Eduardo fez a tréplica com um longo texto sobre o comportamento do desafeto: "Risinho de deboche para mim, Nikolas? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família".

Flávio Bolsonaro, por fim, entrou em campo para apaziguar a artilharia. Assim como havia feito dias atrás numa sala virtual, ele pediu "racionalidade" aos aliados.

"É muito angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando enquanto a gente tem um País para resgatar. E o inimigo não tá aqui, tá do lado de lá. Esse é o tipo de confusão que não tem vencedor. Todo mundo sai perdendo. Cada um tem os seus motivos, as suas mágoas, tem o direito de se defender do que acha que é agressão ou provocação do outro, beleza. Mas cada um tem o seu tempo", declarou Flávio. O senador pediu foco no objetivo, as eleições de outubro, e que os aliados perdoem uns aos outros.

Estadão
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