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Política

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Caiado sobre tarifaço: 'Eu, retaliar os americanos? Para acabar com o resto das exportações?'

Candidato também afirmou que há uma 'desestruturação do presidencialismo' ao comentar sobre as emendas parlamentares

7 ago 2026 - 16h31
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BRASÍLIA - O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou que não faria retaliação aos Estados Unidos em razão do tarifaço. As declarações ocorreram nesta sexta-feira, 7, durante sabatina da "GloboNews". Na ocasião, Caiado disse que a medida poderia causar a perda de investimentos dos Estados Unidos no Brasil. Na véspera, no mesmo programa, o candidato do Novo, Romeu Zema, afirmou que poderia retaliar o tarifaço e disse que o Brasil não seria "capacho dos Estados Unidos".

Caiado admitiu que o impacto do tarifaço é "péssimo", com medidas nocivas para o Brasil, sobretudo para o agronegócio, mas disse que faria uma conversa em "alto nível" com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"O Itamaraty não vai ser mais um braço ideológico do PT. Eu quero trazer as boas cabeças", disse o pré-candidato do PSD. "À hora que eu sentar à mesa com o Trump, eu sentarei com aqueles assuntos discutidos, será uma conversa em alto nível", declarou.

Ao ser questionado se faria retaliação aos Estados Unidos se Trump mantivesse as tarifas, Caiado respondeu: "Eu? Retaliar os americanos? Para acabar com o resto das exportações que nós temos e perder todos os investimentos americanos? Alguém com a cabeça sã falaria uma asneira dessa?"

Caiado também disse rejeitar a ideia de colocar o Pix em negociação. "Isso é um sentimento nacional", afirmou o pré-candidato, ao ressaltar que a tecnologia foi criada no Brasil. Segundo ele, o assunto sequer entraria em pauta. Perguntado sobre o que colocaria em negociação, Caiado mencionou as terras raras brasileiras.

"Alguém tem o que eu tenho em terras raras pesadas? Alguém no mundo tem o nióbio que eu tenho? Se eu fechar a mina de Goiás e de Minas hoje, ninguém produz aço no mundo. Hoje, fora da China, quem tem terras raras?", disse, ao se referir ao Brasil.

Ainda no âmbito da diplomacia, o pré-candidato do PSD disse que não brigaria com os chineses por reconhecer que há fortes investimentos do país asiático no Brasil.

Crítica a emendas impositivas

Na entrevista, o candidato defendeu a necessidade de discutir a "sustentabilidade" da Previdência Social, ao ser questionado sobre possíveis cortes em um eventual governo, durante sabatina da emissora GloboNews. "O Brasil está envelhecendo", disse.

Ele também afirmou que há uma "desestruturação do presidencialismo" ao comentar sobre as emendas parlamentares e afirmou que pretende direcioná-las integralmente para obras do seu plano de governo.

Ao ser questionado, Caiado disse num primeiro momento que governaria "tranquilamente" com elas, mas afirmou que não poderá ter "594 planos de governo", ao se referir ao número de parlamentares do Congresso Nacional. "Na minha época, nunca teve uma emenda impositiva enquanto fui senador e deputado. Nunca vi isso na minha vida, nunca vi emenda impositiva. Então, essa é a desestruturação do presidencialismo", afirmou.

Caiado prosseguiu: "Você tem uma desordem institucional completa. Então é preciso que o cidadão entenda que vai ter um presidente da República com autoridade moral e capacidade de negociar esses assuntos. Quais são? Não posso ter 594 planos de governo."

Na sequência, o ex-governador de Goiás afirmou que vai apresentar obras por setor para os parlamentares aplicarem as suas emendas. "[Vou] Direcionar 100% nas obras do governo, do meu plano de governo, eleito pela população." Ele afirmou ainda que "não tem como" um parlamentar dizer não. "Você não pode menosprezar também o peso da cadeira da Presidência da República", acrescentou.

Anistia a condenados do 8 de janeiro

Ao longo da entrevista, Ronaldo Caiado também voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Ele voltou a dizer que adotará a medida no primeiro dia de seu governo, se for eleito. "A anistia é para pacificar o País", disse.

Estadão
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