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Política

Caiado é escolhido pelo PSD para disputar a Presidência nas eleições 2026

Partido comandado por Gilberto Kassab definiu o governador de Goiás para ser o representante na disputa

30 mar 2026 - 08h44
(atualizado às 08h53)
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Ronaldo Caiado foi escolhido pelo PSD para disputar a Presidência
Ronaldo Caiado foi escolhido pelo PSD para disputar a Presidência
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi escolhido pelo PSD para disputar a Presidência da República. O lançamento da pré-candidatura pela sigla ocorre nesta segunda-feira, 30, consolidando um movimento que ganhou força após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, da disputa interna. O anúncio será feito na sede da sigla, no centro de São Paulo (SP), às 16h.

A escolha de Caiado ocorre após semanas de articulação nos bastidores e encerra um processo interno que opunha seu nome ao do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, a saída de Ratinho Jr. reorganizou o cenário dentro do partido e abriu caminho para a consolidação do governador goiano como principal opção.

Ratinho Jr., que era considerado favorito do presidente da legenda, Gilberto Kassab, desistiu da disputa após refletir com a família e avaliar dificuldades políticas e pessoais, incluindo a condução de sua sucessão no Paraná. Interlocutores relatam que o governador já vinha sinalizando dúvidas desde o fim do ano passado, em reuniões com Kassab.

Com a saída do paranaense, dirigentes do PSD passaram a avaliar que seria difícil contornar a candidatura de Caiado, sobretudo após sua filiação à sigla, oficializada em março. "O partido não vai conseguir se livrar dele", afirmou, sob reserva, uma fonte com trânsito na cúpula partidária.

Pesaram a favor de Caiado a trajetória política, a experiência no Executivo e no Legislativo e a associação a pautas como segurança pública e agronegócio. Integrantes do conselho político da sigla também destacam que o governador não pretende disputar outro cargo, como o Senado, e tem direcionado sua movimentação exclusivamente ao Planalto. O próprio Caiado chegou a afirmar à reportagem que "não estaria fazendo tudo isso" se sua intenção não fosse disputar a Presidência. Ele chegou a trocar de partido (ele era filiado ao União Brasil) para se viabilizar.

Apesar da consolidação do nome, a escolha não foi unânime. Parte do partido defendia a indicação de Eduardo Leite, visto como alternativa mais alinhada ao centro político e com potencial para disputar eleitores fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O próprio Leite subiu o tom na semana passada, reforçando o seu centrismo político em detrimento de Caiado. "O PSD vai ter que decidir, afinal, se vai ser um partido que vai defender indulto, anistia, ou se vai ser um partido que vai falar de um Brasil diferente", afirmou em coletiva de imprensa em São Paulo, na quarta-feira, 25. O gaúcho chegou a afirmar que não pretende disputar outro cargo senão a chefia do Executivo, embora já tenha dito que poderia tentar o Senado. Seu destino ainda é incerto.

Levantamentos internos do PSD indicavam desempenho semelhante entre os dois governadores, com leve vantagem de Caiado (4% para o goiano ante 3% do gaúcho foram apontados pelas pesquisas Quaest e Datafolha). Ainda assim, Kassab reiterou que as pesquisas não seriam o principal critério para a decisão.

A antecipação do anúncio ocorre às vésperas do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral, o que levou o partido a acelerar a definição para evitar prolongar o impasse. A candidatura ainda precisará ser confirmada na convenção partidária, prevista para o meio do ano.

Até lá, o PSD deve intensificar as articulações para a formação da chapa e eventual construção de alianças. Atualmente, a tendência é que a chapa da legenda seja pura. No entanto, Kassab já chegou a afirmar que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seria um "excelente vice". Zema, por sua vez, segue defendendo sua pré-candidatura, negando ser vice até mesmo de Flávio Bolsonaro.

Estadão
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