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Bolsonaro se fecha para Estados da Amazônia, diz governador

Decreto do presidente excluiu governos estaduais da Amazônia Legal de conselho nacional. "Tudo fica mais difícil", diz Helder Barbalho (MDB)

14 fev 2020
21h16
atualizado às 21h20
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O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), criticou a decisão do presidente Jair Bolsonaro, de excluir os governadores da região amazônica do Conselho Nacional da Amazônia Legal, anunciada pelo governo para tratar de temas ligados à região.

O conselho anunciado nesta semana por Bolsonaro será liderado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que disse ter ver uma oportunidade para instituir "uma verdadeira política de Estado para a região".

Presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa e cumprimenta populares ao sair do Palácio da Alvorada, em Brasília 
Presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa e cumprimenta populares ao sair do Palácio da Alvorada, em Brasília
Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil / Estadão Conteúdo

Não é o que pensa o governador do Pará, que disse ter sabido da decisão do governo sobre o conselho por meio da imprensa. "Não consigo compreender qual a dificuldade do governo federal em contar com a participação dos Estados. Na hora que o governo se fecha, tudo fica mais difícil", disse ao Estadão.

Bolsonaro deixou clara a sua avaliação sobre o assunto nesta quinta-feira, 13, ao reagir a uma crítica da organização Greenpeace, que chamou de "lixo". "Se você quiser que eu bote governadores, secretários de grandes cidades, vai ter 200 caras. Sabe o que vai resolver? Nada. Nada", disse Bolsonaro.

Para Helder Barbalho, a decisão de retirar o conselho das mãos do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi acertada, porque coloca o tema sobre um patamar maior, ao ser comandado por Mourão. A restrição dos Estados, porém, diz ele, "é um equívoco". "Não tem sentido algum, porque o governo federal perde força. É uma escolha dele e tem de respeitar, mas não precisamos concordar com isso", comentou.

O líder do consórcio de governadores da Amazônia Legal, Waldez Goés (PDT), governador do Amapá, disse que a exclusão é um "retrocesso" e que a visão do governo caminha para ser 'mais Brasília e menos Amazônia'".

Mourão chegou a dizer que se tratava de uma posição pessoal de Waldez. Mas Barbalho não concorda. "A manifestação do Waldez não é isolada. Esse é o sentimento do grupo. Toda e qualquer ação nessa região precisa de diálogo local."

Helder Barbalho disse ainda que os recursos do Fundo Amazônia, principal programa de apoio a ações de combate ao desmatamento na região, permanecem paralisados até hoje, por causa das acusações feitas por Ricardo Salles contra a gestão do fundo, no ano passado.

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Estadão
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