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Bolsonaro: "Responsável pela morte foi a PM da Bahia, do PT"

Presidente disse que Adriano era 'herói' e defendeu a homenagem feita pelo filho Flávio

15 fev 2020
17h25
atualizado às 17h45
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O presidente Jair Bolsonaro responsabilizou neste sábado, 15, a "PM da Bahia, do PT" pela morte do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, o capitão Adriano, que era procurado sob acusação de chefiar no Rio a milícia Escritório do Crime. Bolsonaro citou a imprensa para afirmar que o miliciano foi morto em "queima de arquivo" no cerco ocorrido em Esplanada (BA), no domingo, 9. O ex-policial foi baleado e morto pela Polícia Militar baiana. Tinha sido localizado após fugir, durante mais de um ano, da polícia fluminense.

"Quem foi responsável pela morte do capitão Adriano foi a PM da Bahia, do PT. Precisa dizer mais alguma coisa?", disse o presidente, após inaugurar nova alça de acesso entre a Linha Vermelha e a Ponte Rio Niterói , no Rio de Janeiro.

Jair Bolsonaro durante cerimônia de inauguração da alça de ligação da Ponte Rio-Niterói à Linha Vermelha.
Jair Bolsonaro durante cerimônia de inauguração da alça de ligação da Ponte Rio-Niterói à Linha Vermelha.
Foto: Nayra Halm / FotoArena / Estadão

A ex-mulher de Adriano, Danielle Mendonça, e a mãe dele, Raimunda Veras Magalhães, foram assessoras de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, no Legislativo fluminense. As duas estão entre os investigados pelo Ministério Público no suposto esquema de "rachadinha" (devolução de salários) que teria funcionado no gabinete do parlamentar. Então deputado estadual, hoje senador, Flávio afirmou que o ex-PM foi torturado. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia repudiou as acusações.

Em 2005, Adriano, que estava preso e enfrentava um processo por homicídio, foi agraciado com a Medalha Tiradentes, mais alta condecoração da Assembleia Legislativa do Rio, a pedido de Flávio. Bolsonaro chamou o filho para esclarecer essa homenagem. "Isso tem 15 anos", disse Flávio. Ele lembrou que fez questão de pedir para não cremarem o corpo de Adriano (manifestou-se pelo Twitter, quando a Justiça já tinha proibido a cremação), já que "pelo que soube e como mostrou a revista Veja, ele foi torturado."

"Para falar o quê? Com certeza não é pra falar sobre nós, porque não tem o que falar contra nós, não temos envolvimento nenhum com milícia", disse Bolsonaro, bastante exaltado.

O presidente ainda disse que foi ele quem pediu ao filho que homenageasse o ex-oficial do Batalhão de Operações Especiais. "Não tem nenhuma sentença julgada condenando o capitão Adriano por nada, sem querer defendê-lo", prosseguiu Jair Bolsonaro, afirmando que, na época da homenagem, Adriano era um 'herói'.

A ex-mulher e a mãe de Adriano foram nomeadas no gabinete por indicação de Fabrício Queiroz, investigado por supostamente operar o esquema de "rachadinha". Bolsonaro e o filho encerraram a entrevista quando foram perguntados por que as duas foram contratadas. Seguiram para um evento evangélico do pastor RR Soares, na Enseada de Botafogo, zona sul do Rio.

O Escritório do Crime foi investigado nas operações Os Intocáveis e Os Intocáveis II. Explora grilagem, comete extorsões e assassinatos por encomendas. Ronnie Lessa, preso sob acusação de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, é ligado a essa milícia.

Outro lado. Procurada para comentar as declarações, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia afirmou que a polícia agiu dentro da legalidade. "A necropsia mostrou que não houve nenhum tipo de tortura e que no confronto Adriano foi atingido por dois disparos", disse a pasta. COLABOROU CAIO SARTORI, ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR

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Estadão
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